Tuesday, October 24, 2006

Bilhete

Vou-me embora para o shopping. Não me esperes. Chego tarde. Preciso largar o nosso lar por momentos e visitar um absurdo qualquer, que não seja muito analisável e questionável, que não represente nada emocional.
È época de saldos e apetece deitar fora o estúpido do dinheiro que de qualquer forma parece sempre pouco e nos faz andar a matar neurónios para arranjar forma de fazer mais e mais.
Vou-me embora em busca das pessoas com olhar perdido nas montras e mãos pesquisadoras em busca da qualidade dos tecidos e das etiquetas.
Vou-me embora para sentir o cheiro nojento da gordura. Vou-me embora para as escadas rolantes, para ser levada e elevada, para sentir o motor aumentar a velocidade e pensar que cresço mais uns centímetros.
Vou-me embora e só volto lá para a meia-noite que é a hora que a mesquita comercial encerra, hora em que acabará em terapia breve, fútil, mas eficaz.
Vou-me embora para adorar sacos de papel com cordinhas a fazer de pegas que me dão mesmo que só compre uma coisinha pequenina. E compro várias coisinhas pequeninas para ter sacos distribuídos pelas duas mãos e me sentir no rodeo drive.
Se queres que te compre algo, manda-me uma mensagem.
Vou-me embora, qual Alice, para o país das maravilhas fúteis.

Amanhã regresso

Olhou para a minha mão e disse “Tem mãos de homem, grossas e ásperas”. Não lhe liguei e continuei a olhar para o nada e a andar em frente. A cigana arrastou o seu manto para o outro lado da rua.
Fui pelo caminho evitando olhar para as mãos e ara as linhas da vida, da cabeça, etc. As mãos servem para trabalhar e pronto. A linha da vida é uma linha-férrea lá para o meio de marco de canaveses, enferrujada e lenta, que nos faz pensar na vida, no amanhã.
Passei lá de novo no dia seguinte e lá estava ela. Não me abordou, ficou a ao lhar para mim, ao longe, como se nos fossemos defrontar num duelo ao meio-dia. Não quero saber, por mais que o meu outro eu queira. A vida são miragens suspensas, pequenos oásis com um mini lago e eu fico a boiar na vida enquanto ela passa. Mais um dia, mais um olhar e, desta vez, troco de passeio de propósito. Ela atravessa a correr e grita-me “Espere”. Dou passos mais certos, mais largos; a vida mata-me a cada vida. Agarra-me o braço e franzo as sobrancelhas com força, o esoterismo é um desejo de desocultação e eu quero tudo oculto. “Vá à sua vida”, “Não, o que quero dizer-lhe é simples. Olhe para ali, está um homem no banco que vem vê-la passar a esta hora, todos os dias Não preciso ler a sua mão para ver isso”. Não tinha sotaque de cigana nem nada que se parecesse, só se vestia como tal. Olhei-a com cara de estúpida e a seguir para o tal homem que era bem-parecido. Agradeci e andei. Não ansiei pelo amanhã porque ele está sempre lá, mesmo que não seja para mim, ele está lá, por isso não vale a pena ansiá-lo.
Noutro dia, a cigana já não estava lá. E o homem estava lá sentado, igual ao dia anterior, sentado no banco com ar relaxado e um olhar pacífico. Escondi-me, ficando à espera a olhar para as minhas mãos de homem, e vi-o ir embora depois de eu passar. Amanhã regresso mais cedo para o ver chegar.

Tuesday, October 17, 2006

Tentativa de conto infantil


Há muito tem atrás tentei incursar nos contos infantis percebendo que se trata de um campo muito dificil da escrita, o qual abandonei por completo. Um cérebro demasiado argumentativo não consegue entrar na intuição e espontaneidade infantis.
O alvitre veio do Escreva.com, um fórum fantástico de escrita criativa que completou há pouco tempo um ano de idade. Perante o estímulo da ilustração ao lado deixamos sair as ideias livremente. Nasceu, mas nas cresceu muito.
A história segue abaixo como a primeira e, provavelmente última, tentative de escrita infantil.

A Flor que voou para longe

O Miguel era um menino com 6 anos, ansioso por entrar para a escola.
A mãe do Miguel, a D.Luísa, trabalhava na pequena quinta de produtos naturais que possuíam, enquanto o marido, pai do Miguel, trabalhava numa fábrica na cidade.
O Miguel ia pouco à cidade e estava ansioso por começar a aprender e a conhecer meninos da cidade.
Até agora ficava a brincar com a vaca Flor, o porquinho Manuel, a família de gatos e todos os cães que lá vinham para brincar – ele não sabia os nomes de todos, pois eram muitos! E brincava com todos, rindo e saltando todo o dia até ao sol de pôr! Enfim, eram todos uma grande família feliz!
Finalmente, chegou o primeiro dia de escola e, logo, Miguel fez um amigo, o Marco.
Nos primeiros dias de escola, o Miguel ficou muito contente. Aprendeu algumas letras, jogos novos e músicas engraçadas! E o professor, o Sr. Josué, era muito simpático e fazia rir toda a turma.
Até que, um dia na cantina, serviram um prato chamado “bife de vaca”! Miguel ficou assustado, e pensou que tinham magoado a Flor, sua amiga de todas as brincadeiras! E começou a chorar por ela!
Depois de descobrir que as pessoas comiam as vaquinhas amigas de Flor, Miguel teve um horrível pesadelo nessa noite, no qual sonhou que as pessoas comiam as vacas!
A sua mãe reconfortou-o e explicou-lhe que na cidade era assim há muito anos.
Miguel ficou dias a pensar o que podia fazer! Como era possível que os meninos simpáticos da escola fizessem tal coisa?! Porque não comiam platinhas, feijões, arroz, sementes, enfim, as coisas da quinta que não eram capaz de brincadeiras?!
O que poderia fazer para mostrar às pessoas e aos meninos que as vacas eram boas, carinhosas e espertas?
Muitos dias depois, Miguel finalmente teve uma ideia brilhante! Levar a Flor à escola!
E lá foi ela, durante a hora do recreio, desfilar por entre os meninos com o seu sininho a dar a dar!!!
A Flor fez sensação! Dava beijinhos aos meninos e meninas da cidade, fazia “mmmuuuuuu” e eles riam-se muito!
A partir desse dia, deixou de se comer as amigas da Flor na escola. Todos queriam ir visitá-la à quinta e brincar com todos os “amiguinhos” do Miguel!

Nos dias seguintes Miguel ficou tão feliz que sonhou que as vacas ficariam livres, que mais ninguém as comeria. Depois, de tanta felicidade, tinham nascido asas à Flor e às outras vaquinhas, e foi então que, de tanta felicidade, a Flor saiu a voar pelos ceús!!!
E Miguel dormiu, finalmente, descansado.

Outubro - O mês do Nariz


Em Outubro chegam os cheiros de inverno. O Ser Humano desperdiçou e mal tratou a sua capacidade de cheirar, de absorver o mundo através do nariz, e sobre valorizou os olhos. Numa altura em que tudo "nos entra pelos olhos adentro" (e também pelos ouvidos), apneas o nariz se safa. Nem a boca escapa a todas as porcarias que lá introduzimos, sem pensar.
O nariz não, o nariz ainda é um orgão de alguma independência, só cheiramos com real vontade aquilo que queremos, e entretanto, afastamos tudo dele, porque cheirar os outros é mal visto pela sociedade, a não ser que seja para comentar o novo perfume de uma marca qualquer elitista.
Em Outubro chega o cheiro do vento, o cheiro das folhas a esvoaçar, o cheiro das árvores nuas, o cheiro da terra molhada de chuva, o cheiro da trovoada, e cheiro do aconchego da roupa no pescoço desnudo durante tantos meses de calor, o cheiro na naftalina ou de outro odor das nossas gavetas, o cheiro a suor quando o sol abre de repente num ida que pensávamos ser de frio, o cheiros dos corpos na cama enrolados e tapados com cobertores, o cheiro do aequecedor a ligar pela primeira vez, o cheiro do fumo do cigarro a sair da boca gelada, o cheiros dos cafés molhados à entrada, o cheiro da madeira a estalar nas lareiras, o cheiro do frio a arranhar as narinas durante uma inspiração profunda...
Eduquem o nariz. Tragam de volta essa inspiração.

Ócio



Mais umas semanas em casa e a preguiça invade. Depois sinto-me mal por me considerar uma preguiçosa e decido aderir à palavra ócio, é bem melhor.
Aconselho a leitura de http://www.fafisma.com.br/ocio.htm, um texto sobre o Ócio de Joseph Pieper, e passo a citar:
"Contra a absolutização da atividade. Ócio é exactamente "não-atividade". Ele é uma forma do silêncio. Ócio é exactamente aquela forma do silêncio que dispõe para ouvir algo. Somente o silencioso é capaz de ouvir. O ócio é a atitude da mera submersão receptiva na realidade; é a abertura da alma que, somente ela, recebe os grandiosos conhecimentos, tornando-se feliz, o que nós nem sequer pelo "trabalho intelectual" poderíamos alcançar".

[Nota: por falar em citar, nunca se esqueçam de citar os autores de onde tiram excertos, é mesmo falta de respeito não fazer isto!]

Mas por outro lado é mesmo preguiça: ligar o PC, ligar a net, entrar no blogger, fazer o login, clicar no blog e começar a escrever...é muito trabalho.
Não tenho nada que me sentir mal, não é? Ser capaz de gozar o ócio é uma competência que a maior parte das pessoas não possui neste sociedade centrada no trabalho. E, por ócio, não entendam, tirar um tempo para ficar em casa e arrumar umas coisas, pois isso é outra forma de trabalho. E ficar em casa a pensar no trabalho também o é.

Tenho bloqueado fortemente a minha vontade de escrever. Estou naquela fase do "não vale a pena", de que serve? Estou fortemente desiludida com o mundo em geral e nem sequer consigo escrever sobre isso. Não quero pensr que não vale a pena, mas a minha mente é mais forte do que a intuição para escrever.

Tuesday, August 01, 2006

Ainda Yôga

Na minha última lista de links de Yôga, com certeza falataram algumas escolas, outras foram postas de parte por escolha minha.
No entanto, já existe um regulador oficial para evitar os usuais charlatões que existem em todas as áreas da vida infelizmente.
Assim deixo aqui um site importante, a da Federação Portuguesa de Yôga, perfeitamente legal, fundada a 24 de Outubro de 2000 e oficializada pelo D.R. III Série, n.º 108, 10 de Maio de 2001.

TV Cabo

Em consequência dos meus "azares" na vida, estou no processo de aceitação total.
Se sou operada ao pulmão, sou operada ao pé, não arranjo emprego, mais profissionais saem do mercado, não faço ideia o que é um contrato de trabalho, sofro à sombra dos recibos verdes, aguento com as incompetências dos departamentos de segurança social, as injustiças dos impostos nos "pequenos contribuintes", levo multas, corro todo o dia desnecessariamente...nada melhor que chegar a casa e ligar a TV Cabo, quando não apetece meditar.
O Canal Infinito juntou o útil ao agradável.
Como diria o Calvin em frente à televisão..."embrutece-me"! Deixa-me viver o que os outros vivem por uns momentos que o que eu vivo já chega.
Resisti muito à TV Cabo...tenho os livros, a internet, o trabalho, não vejo muita televisão, blá, blá...talvez as tretas que ouvimos dos pseudo intelectuais todos. A sabedoria e o conhecimento podem vir de qualquer sítio, o que importa sempre é o receptor! Aprendo com a Tv, com a TSF, com a minha gata, com os meus erros, com os erros dos outros, com o que me dói muito ou me faz feliz.
Recebo, remoo, refaço, incorporo, aceito e depois, é meu.

PSP - Policia de Segurança Pública ou Pessoas Sem Paciência?


Quando se pensava que a vida já corria mal que chegasse (sendo o mal ou o bem uma dicotomia que encontramos para facilitar a visão da vida mas que não dá jeito nenhum!) eis que a PSP, sem saberem, coitados, estragam-nos ainda mais a vida.
Sim, eles têm razão as multas são para se passar aos transgressores e eu cometi uma transgressão. Deixei cair um prato no pé, fui operada, ando todos os dias em fisioterapia e ando a juntar para umas férias há anos (das 2 últimas vezes 2 azares fantástico fizeram com que tivesse de cancelar as viagens!), e por acaso, naquele dia em que, cheia de coragem vou liquidar a restante parte das férias, deixo o carro metade em cima de uma passadeira com 4 piscas.
Quando chego está o reboque escaichilhado no meu carro, e esqueço o pé e tudo o resto, e desato a correr pelo meio da estrada a abanar com os braços. "Oh, Sr. Guarda, por favor, foi só uns minutos que fui ali e...", resposta: "Sabe onde é a esquadra, não sabe?", pedi boleia para a esquadra e ele parou. Paguei pela multa e pelo reboque e ainda corro o risco de inibição de conduzir.
Claro, a partir do momento que ele me disse para ir à esquadra buscar o carro com aquela entoação violenta, senti-me uma criminosa total e comecei a soluçar. Todas as minhas capacidades de negociação e comunicação, tantas vezes treinadas, cairam por terra. Naquele momento só precisava de fazer umas respirações, não dava para estar a entoar o mantra OM, e controlar-me para não me passar de vez.
As minhas experiências com a PSP têm sido muito "boas" e muito pedagógicas. Mas Às vezes acho que eles não têm paciência. Às vezes apetece mesmo gritar IDE APANHAR LADRÕES E CRIMINOSOS, em vez de andar a passear de reboque ao pé da praia a ver se se apanha algum tanso. Esta tansa não tem contactos, nem tem lata para pedinchar ou regatear multas. Acho que sou cidadã e tenho direitos e deveres. E se um dos meus deveres é não estacionar mal outro direito era não cobrarem pelo reboque que mal arrancou. E como cidadã, se eu fui educada, tenho o direito de ser tratada igual, e não como uma serial-killer.

Wednesday, June 14, 2006

Signo Virgem, com muito gosto

O Blogger automaticamente me atribuiu o signo "cancer", o que está errado para quem nasceu a 07 de Setembro. Isto dá signo Virgem, com muito gosto. Perdoemos as máquinas.

Tuesday, June 13, 2006

Yôga

Nunca dediquei muito do meu blog ao Yôga, mas penso que agora, em repouso três semanas, senti essa necessidade. Sei que há pessoas que querem saber mais sobre Yôga e não conseguem encontrar informação suficiente visto que, em Portugal esta matéria ainda é dotada de muita confusão.
Assim, decidi deixar aqui alguns links para os interessados (sobre prática em Lisboa já existem bastantes informações em blogues e sites de escola, por isso, nesta parte das escola, deixarei informações mais para o Norte):

http://www.yoga.pro.br/ - Site muito interessante e fidedigno, na minha opi~ião, que vai às bases da filosofia Yôga. POde ler-se artigos em Português (do Brasil), relfexões sobre estudiosos e professores, conhecer asanas em pormenor, etc.

http://www.yogajournal.com/ - site, em Inglês, onde pode encontrar-se também muitos artigos, fotografias e instruções muito práticas sobre a vertente física do Yôga. É possível também assinar a newsletter e receber todos os dias 2 textos interessantíssimos sobre Yôga.

http://uniaobudistaporto.no.sapo.pt/index2.htm
- Site da União Budista, delegação do Porto. Mesmo não sendo budista, poderá ler aqui imensos artigos interessantes sobre a filosofia Budista e também sobre a Yôga. A UBP tem também aulas de Yôga e meditação a preços acessíveis.

http://www.viniyoga-pt.com/
- Site de uma escola de Yôga no Porto

http://tvtel.pt/yoga/blogger.html - Blogue interessante que reflecte sobre as práticas de Yôga.

http://www.centroyogabharata-porto.yoga-samkhya.org/ - Site da Associação Lusa de Yôga no Porto.

Por ora, ficarei por aqui, em próximos posts continuarei o trabalho.

Acidente no Hallux


Quem diria que o dedo grande do pé teria um nome próprio? E tão engraçado? E quem se lembraria que sem que este funcione plenamente, NÃO PODEMOS ANDAR. POis é, mais uma aprendizagem na vida. Um prato cai e corta o tendão flexor do hallux, e deixamos de o mexer! Subitamente, sou operada de urgência (Não se ausutem com a foto, que não é do meu pé...penso que a minha cicactriz ficará bem mais bonita!).
É nestas altura que somos confrontados com alguns pensamentos que a maioria das pessoas não compreendem. Os HOSPITAIS são lugares agradaveis, de paz e cura. O mau estar somos nós que o fazemos. Quem lá está, está para nos retirar esse mau-estar. Assim que se entra no hospotal, deveris sentir-se uma paz e alívio por estes existirem, e por termos tão grandes avanços na medicina, capazes de nos dar muitos mais anos de vida, como na idade média não acontecia.
A nossa educação levou-nos a construir uma ideia à volta dos hospitais que é errada: são o sítio da doença, dos enfermos, dos cheiros estranhos, do branco em exagero, onde todos gritam e sofrem...e, por isso, quando algumas pessoas lá entram (quando nos sentimos saudaveis fisicamente) sentem nauseas, tonturas e ficam logo doentes, dizem eles.
O hospital dá-nos a paz que não conseguimos cá fora. Façam um exercicio: Analisem as fortes semelhanças entre um spa, umas termas e um hospital!
Bem, cá estou em repouco absoluto, caminhando só no pé direito, com uma tala a imobilizar o Hallux esquerdo. Três semanas dizem eles.
O Universo quer dizer-me algo e eu ainda não percebi bem.

Sunday, April 16, 2006

Androgenia?

Já não chegava sermos pessoas diferentes, temos de meter sempre o sexo ao barulho. O sexo causa-nos imensos problemas. Agora com a moda da igualdade de oportunidades, corremos riscos enormes. Eu sei que há coisas necessárias que têm de ser realizadas, mas corremos riscos de desigualar ainda mais as coisas!
Não me levem a mal, eu sou completamente Freudiana e acho que o sexo é realmente a base de tudo. Mas não poderíamos ser como algumas espécies de peixes que se transformam ora em machos ora em fêmeas conforme as necessidades assim o ditam? Conhecer alguém e apaixonarmo-nos por alguém, pela pessoa que é e não ser condicionado pelo seu sexo. Apaixonava-me e, no momento decidia se queria usar um pénis ou uma vagina e o ser humano/a pessoa ao meu lado decidiria também! Podíamos gozar de todas as vantagens e desvantagens de um pénis e uma vagina, em simultâneo ou em confronto. Quem sabe a selecção natural...ou a evolução natural tratará disso...

O PEPAP

O Programa de Estágios na função pública merece um voto positivo. Esta opinião nada tem de política ou partidária, mas é apenas uma palmadinha nas costas.
Pessoas concorreram e entraram sem cunhas ou conhecimentos ou factor Q.I. (Quem indica) e isso revela grande competência e imparcialidade. Alguns, por certo haverá que tiveram esses factores, mas pelos menos outros há que não e tenho provas disso. Assim, parabéns.
Apesar de que, não deixa de ser mais uma medida para disfarçar a taxa de desemprego e colocar pessoas qualificadas a tapar buracos de organizações que tem muitas coisas em atraso. De qualquer forma fizeram-no positivamente…

Assumir a inutilidade

Há momentos na vida em que temos de nos remeter ao que realmente somos: seres inúteis. Todo o esforço que fazemos é para combater a sensação de inutilidade que temos se não fizermos nada. E não adianta, assim que paramos e não fazemos nada, sentimos o sentimento a vir ao cima…então porque lutamos contra ele? Porque o ser humano é demasiado curioso e irrequieto para aceitar que é inútil. Viver é viver e é tão simples. Nós complicamos porque precisamos de desafios e quando eles não aparecem vamos muito mais abaixo do que se nunca tivéssemos tido nenhum desafio, então criamos um efeito perverso que é conseguir ir cada vez mais abaixo! Por isso, temos de aceitar a nossa inutilidade. Somos inúteis e devíamos estar orgulhosos disso. Claro que temos determinadas competências e habilidades, mas podemos usa-las no nosso próprio espaço de inutilidade. Quando aprendermos a ser ninguém, a ser nada, a ser o que somos realmente, aí sim seremos alguém. Aí seremos a minoria que se aceita a si própria como inútil. Enquanto passarmos a vida inteira a tentar ser alguém, nunca compreenderemos a beleza da inutilidade, do ser ninguém, do não ter de provar nada nem de cortar a meta.
Já agora recomendo as diversas obras de um senhor chamado OSHO.

Tuesday, March 21, 2006

Broken Flowers


"Broken Flowers" (2005) é a última viagem de Jim Jarmusch, que como noutras obras termina com a fabulosa rotação de câmara em volta do protagonista, envolto ele mesmo nas suas reflexões, sempre profundas e fascinantes. Com um elenco fantástico (Bill Murray, Jeffrey Wright, Sharon Stone,Frances Conroy (da série "Sete Palmos de Terra") Jessica Lange e Tilda Swinton), consegue fazer-nos pensar um pouco sobre o que andamos a fazer com o nosso passado...se nos desligamos demasiado dele (recomeçando facilmente de novo sem olhar para trás) ou ficando a cismar, quais Sherlock Holmes, o que podemos descobrir agora que o passado já passou e que podemos analisá-lo com distanciamento. Não se espere uma comédia nem uma drama, mas talvez um estilo reflexivo que muitas vezes faz rir, mesmo sabendo que não devíamos rir da situação, que até é séria. Aconselho seriamente aos(às) que se julgam o(a) amante Casanova, ou aos(às) que saltam de relação em relação sem pensar muito.
Relembro que ganhou o Grande Prêmio do Júri, no Festival de Cannes.

"Aceitar o Nada"- Peça de Teatro

A peça de Teatro "Aceitar o Nada", de Luísa Pinto, está em palco até ao próximo fim de semana, na Câmara de Matosinhos, com entrada gratuita mediante inscrição. Conta com presenças fabulosas de Sónia Araújo, Micaela Cardoso, Fatucha Overacting e Joao Cabral, a interpretarem por exemplo Frida Kahlo, Marlene Dietricht, Edith Piaff, Florbela Espanca, Isadora Duncan e Sara Bernardt . Um Elogio ao Pianista, à encenação e um grande cumprimento à Câmara de Matosinhos por nos proporcionar este excelente espectáculo.
Por outro lado, interessa referir que se trata mulheres, das mulheres especiais que acima referi, e das suas desventuras, do seu custo para terem sido grandes mulheres, a solidão, as infefidelidades, a não-maternidade em alguns casos, o arrependimento, e formatos de amor estranhos para o comum mortal...
Vale a pena tanta dor para ser grande? Para ser Diva? Para ser lembrada eternamente? Fica a reflexão...

Monday, March 06, 2006

DHARMA


É impressionante a quantidade de pessoas que se queixa das coisas...fiquei mesmo absorvida a visitar uns blogs, sem rumo definido.
Todos tão mal, é a crise, os políticos são todos vigaristas, ou o que eu quero é viver a vida, ser feliz...enfim, clichés atrás de clichés. A acção é pouca e acham que têm direito de se queixarem...
Sei que as frases “a vida é um milagre” e “agradece por aquilo que tens” também são clichés e soam a religião, mas quem vos deu O DIREITO de barafustarem sem fazerem nada? Foram votar todas as vezes que houve eleições? Leram o resumo (pelo menos) do que cada partido defende? Fazem reciclagem todos os dias e carregam-na para o ecoponto (sim, o meu ecoponto fica longe de casa)? Deixaram de comer animais, mesmo apesar da revolta darwiniana deles com todas as mutações e vírus que eles inventaram? Inventaram formas diferentes de dizer “amo-te”? Amaram de forma diferente em cada relação, não repetindo as mesmas palavras batidas e escrevendo os mesmos poemas que transformam um estúpido detalhe numa ode ao todo?
Adoptei a filosofia Budista (informalmente)há uns meses atrás e parece dar resultado. Interiorizar desejos e as coisas acontecem...não desejar, não lutar (senão caímos em Karma), deixar tudo fluir como tem de fluir porque o universo tem uma energia própria que nos conduz. Aprendi a aceitar a morte como parte da vida, como diz OSHO aliás, nem deviam ser duas palavras, mas uma só “Vidamorte”. A partir de cera altura da vida, a morte soa muito bem. E não depende da idade, mas sim da aceitação. Da auto-aceitação. Do não forçar nada. Do aceitar que cada um de nós tem um qualquer percurso, e vai ter, esperneando muito ou esperneando pouco.
Claro que gosto de me “queixar”, pelo mero exercício intelectual e social. Mas isso só me traz orgias mentais, e não paz de espírito. Reflictam, mas pouco. Relacionem-se, mas eliminem “relações tóxicas” para o espírito (Chopra). Anos de toxicidade, só dá uma intoxicação dolorosa demais, acreditem. E essa história de amor, é tão simples. É só estar lá. É só querer morrer por já ter tudo o que se sente possível. E o verdadeiro amor, esse, vem apenas quando o menos desejarem. Quando acharem que já não existia. Quando desistirem (eu sei que também é um pouco cliché, mas é verdade, é DHARMA!)

O Amor e os Dramas de "Mão-na-testa"


O Cineclube brindou-me com uma surpresa de cair para o lado! Senso de Luchino Visconti do ano de 1954. Apanhada num filme sobre o qual não tinha quaisquer informações (é essa, aliás uma das paixões de cineclubista amadora!!!), sair a morrer de rir mas, depois que a risada passou, pus-me realmente a pensar (que é uma das funções do cinema!)...quando é que o amor deixou de ser um Drama de "Mão-na-testa"? Quando é que perdemos aquela intensidade do olhar fugidio, do respirar por cima do ombro, do estremecer da protagonista com um tremelicar de lábios? Quando? As nossas modernices são boas para muita coisa (já nada é tabu, a desinibição reina e já ninguém faz amor com uma daquelas camisolas de noite cheias as renda...acho eu!) mas por outro lado, será que perdemos o desvario dos amores de "desmaios emocionais repentinos"? Será que ainda ALGUÉM desmaia por amor? Isso é fisiologicamente possível? Quando é que deixamos de beijar com a cabeça totalmente de lado? (Ou isso era só para a câmara?)

A Banda sonora do filme é de dar saltos na cadeira...e risos também. O que nos parece uma situação mediana qualquer de hoje, é tratado e enaltecido por grandes orquestras repentinas, que até assustam!
Os clássicos têm um fascínio inexplicável. Apeteceu-me pegar na máquina de filmar e vestir um vestido daqueles com armação por baixo, e filmar-me a beijar alguém...só para testar a teoria! Será que me veria de outra forma se me visse como se estivesse em 1954? Será que me sentia mais mulher? Menos pragmática? Mais romântica? Será que desmaiava ou levava a planta da mão à testa?

Friday, March 03, 2006

OS EDUKADORES (Die Fetten Jahre sind vorbei)


Aqui está outro grande filme de impacto em todas as areas da nossa vida...se deixarmos!
OS EDUKADORES realizado por Hans Weingartner é um filme de 2004 sobre jovens cheiros de paixão para mudar o mundo...e não é que pouco a pouco até vão conseguindo? As estratégicas podem ser postas em causa, mas os objectivos são bem nobres.
Será que a maioria dos jovens desta geração perderam essa paixão? Pelo que lutamos hoje?Lutamos? Eu luto pel igualdade, pela reciclagem, pelo vegetarianismo, pelo olhar crítico de tudo à nossa volta...e vós?

Nádia

Nádia é uma honra para mim ter sido adicionada aos teus favoritos! Muito obrigado. E continua a aparecer. É um grande gosto para mim. Pat

Thursday, February 09, 2006

Pseudo-Amor?

Aconselho vivamente o filme A DAMA DE HONOR (La demoiselle d'honneur), dirigido por Claude Chabrol, de 2004, Duração de 110 min (Género: Thriller, drama.Interpretação de Benoît Magimel (Philippe), Laura Smet (Senta), etc.)

Talvez retrate um extremo do que não estamos habituados na sociedadezita em que vivemos - o amor obcessivo, que precisa de provas (até ao ponto de matar alguém!). Por outro lado, mostra uma mulher segura, independente, obcessiva, decidida, com teorias muito próprias e filosofias de vida muito aproximadas das minhas, daí que me identifique também.

Esta obra deixa-me a pensar o que é preciso para provar que se ama - dizer? Mostrar? Oferecer prendas? Elogiar? Arquitectar uma estratégia de prova válida? É costume dizer que toda a gente tem um preço. É costume dizer que todos mataríamos pelo motivo certo? Mataríamos como prova de amor? Ou cingimos a morte a catarse de estados de fúria? Os estados de euforia e alegria por amar são visto patológicos?


"Ai, que 'tou consumida"

São os eruditos os que mais dificultam a própria linguagem e comunicação. Estou em desatino, cansada, esgotada, em burn-out e, desesperadamente em busca de uma outra qualquer erudita e esclarecedora expressão lembrei-me de uma senhora dos seus 60 anos que costumava ir à loja da minha avó e que punha as coisas de uma forma tão perfeita, "Ai, 'tou consumida". Realmente, sinto-me consumida, algo me consome e não sei o que é. Consome-me de dentro para fora, apesar de saber perfeitamente que se nota de fora e que há explicações exteriores para esta consumição interna.
Nada me satisfaz, nada me motiva. As coisas que me motivam não pagam as contas: escrever, cantar e ser cinéfila obcessiva. Alguém me dá uma pista de como fazer dinheiro com estes interesses?

Monday, February 06, 2006

Morrer

Se uma pessoa quer morrer porque acha que já não tem mais nada a fazer aqui: se tem 28 anos é um inconsciente suicida, sem tem 82 anos é sábio e sensato.

Sunday, February 05, 2006

Pseudo-estranha

Estou num dia “Odeio”. O que já é normal. Odeio, calmamente, tudo à minha volta e a única coisa que eventualmente me poderia agradar era que me deixassem odiar, sem questões abundantes de falsa condescendência do género “está tudo bem?”, blá, blá, blá."
Estou com (algumas) pessoas de quem não gosto usualmente e com (algumas) que não gosto hoje. Num sítio que não gosto, a fazer algo que não gosto, mas por imperativo sociais preciso de aqui estar. “One of those nights”.
Para conseguir escrever tive de revirar a carteira até encontrar as costas de uma folha velha e cá escrevo, “à la pate”. Não é um daqueles dias que escrevo porque não tenho mais nada que fazer, mas sim um daqueles em que escrevo porque tenho mesmo de escrever!
Não sei bem para quê.
Estou a transformar-me numa pessoa que tem mania que é estranha. Dou uma passa no cigarro e olho, de baixo para cima, por entre a franja do cabelo, enquanto largo o fumo para o mundo.
Bebo coisas estranhas tipo pisang simples, vou sozinha ver filmes de culto e fico com aquele ar desejável de intelectualóide que percebe da coisa. Faço questão de ser eu a pôr gasolina no meu carro e mais ninguém, e os senhores da bomba ficam com os olhos em bico ao ver uma gaja entrar para pagar sózinha às 4 da matina. Vou a bares sozinha ver como os outros lá vão em grupo.
Passo horas a olhar para obras do Rene Magritte.
Sou viciada em comprar em lojas asiáticas e transformar as coisas.
E nunca quis morrer tanto, ou nunca quis tanto morrer. Só quem aprecia a vida a 100, pode desejar a morte tanto, não? Não há dia que não pense nela e quem não a ame profundamente, como à vida. Penso e não a temo, espero-a.
Como se fosse o derradeiro desafio da vida - viver a morte. Como se só a morte lhe desse sentido. É, acho que estou a ficar pseudo-estranha.

O Trabalho começou.

Cada vez gosto menos do trabalho e de quem gosta dele e de quem o inventou e de quem se lembrou de o tornar comum pelo planeta fora.
Não podíamos ter ficado nas nossa quintinhas a plantar couves e batatas, e fazer os bebés e a gozar a natureza? What’s the point? Para que raio querem as pessoas o trabalho? Deve servir um propósito importante na vida que é: ter algo do que se queixar.
Sim, este é o propósito de uma grande parte das pessoas. Então, o que fazes nos teus tempos livres? "Olha, trato da casa, dos filhos, e ...ah, queixo-me do trabalho. Sento-me ali na mesa do café, umas horitas e falo mal do chefe, do antónio e do manuel, e gabo-me dos piropos que mandei durante o dia.
Sim, este tipo de actividade na qual incorro ajuda-me a lidar com as efemérides da via, a aumentar a minha auto-estima e a aguentar ter de viver os dias seguintes até à minha morte. Olha, vai começar o jogo."

Beijo

Chegaste e foste
E disseste: deixamos isto para depois.
O depois parecia nunca mais chegar,
E quanto mais queria que tu chegasses
Mais tu partias.
Um beijo não se deixa para depois
Porque o depois pode não deixar.
O beijo pode partir antes de tu sequer chegares.

Os cabritinhos das marcas

Os cabritinhos das marcas

Todos queremos ser diferentes. Irreverentes, rebeldes, demarcarmo-nos de todos os outros. Sermos originais. Para tal, fazemos das coisas mais estúpidas que nos podiam vir à cabeça, por exemplo, escrever este blog. Mas há outras formas. Não vou enumerá-las nem discuti-las, mas fora os cabritinhos da moda, os cabritinhos-sacoor e as cabritinhas-lanidor, todos nós tentamos marcar pela diferença.
Os cabritinhos das marcas acham que são diferentes por serem cabritinhos das marcas, méeee méee, eu vou no meu rebanho mas sou diferente do rebanho que vem atrás!
Eu também sou uma cabritinha, uma cabritinha dos saldos, uma fiel seguidora das baixas. Eu sou tão cabritinha dos saldos que quando olho para um símbolo % na máquina de calcular já fico com o coração aos saltos.
Depois de comprar arranco as etiquetas, para ser diferente do rebanho.
Podemos chegar a muitos extremos para sermos diferentes e originais, o problema é que nos esforçarmos e esquecemos que JÁ somos diferentes, originais e únicos! Já somos quem devíamos ser! Não precisamos correr mais atrás da originalidade, porque ela esta cá dentro! Sempre esteve.

Friday, February 03, 2006

Odeio "putos"

Anatomia do berro

As crianças são berrentas e birrentas.
Elas correm, saltam, brincam,
Aparentando felicidade,
Mas na verdade,
Tudo são gritos.
Não posso com guinchos.
Porque não são calmas? Porquê?
Os berros percorrem o ouvido,
Massajam-no brutalmente,
Até eu perder o equilíbrio!
A minha cartilagem endurece,
O cerume é violentado
E aquele som da gritaria
Entra pelo labirinto
Para ser decifrado,
Mas afinal... são só berros.
São gritos.
Martelo, bigorna e estribo
Abanam-se todos,
E sinto o meu corpo a tontear!
Tenho de me afastar!
Vou para longe.
Oh, ao longe quem diria!
Tudo parece mais belo….
Ah, os gritos, que invadem o ceú e
Se desfazem nas nuvens!
Que vozes, que sons, que timbres belos
Atingem as crianças!
Estravazam as suas pequeninas almas
E elevam-se à nuvem mais harmónica.
Correm, saltam, brincam
Os sublimes rebentos
Com estratégica distância,
Não são nada berrentos!

De volta à Paixão

De volta à paixão, como já há muitos anos não estava. Já não sabia como era, e mesmo assim lembrava-me das parecenças com o ódio. Claro que se gosta de estar apaixonado, de ser corroído como um ácido que destrói a vidita normal da gente normal que tentamos não ser todos os dias. Queremos ser diferentes e, o mais estúpido é que achamos que conseguimos. Temos a mania que conseguimos. Saímo-nos com aquelas frases estúpidas que só fica bem dizer "eu não vejo televisão, prefiro ler um bom livro", "vou hoje a um concerto de jazz", bla, bla bla. A paixão transforma-nos em seres burros, que se descartam e fogem, que se refugiam em desculpas paranóicas, que criam máscaras para agradar ao novo apaixonado. Quando apaixonados, não sabemos nunca bem quem somos na realidade, pois estamos constantemente a tentar provocar algo, a tentar agradar compulsivamente. Só num estado não patológico e cheio de taquicardias conseguimos ser autênticos. Não posso dizer que odeio a paixão, mas posso dizer que odeio o seu impacto, a sensação de burrice que me dá.