Monday, March 06, 2006

DHARMA


É impressionante a quantidade de pessoas que se queixa das coisas...fiquei mesmo absorvida a visitar uns blogs, sem rumo definido.
Todos tão mal, é a crise, os políticos são todos vigaristas, ou o que eu quero é viver a vida, ser feliz...enfim, clichés atrás de clichés. A acção é pouca e acham que têm direito de se queixarem...
Sei que as frases “a vida é um milagre” e “agradece por aquilo que tens” também são clichés e soam a religião, mas quem vos deu O DIREITO de barafustarem sem fazerem nada? Foram votar todas as vezes que houve eleições? Leram o resumo (pelo menos) do que cada partido defende? Fazem reciclagem todos os dias e carregam-na para o ecoponto (sim, o meu ecoponto fica longe de casa)? Deixaram de comer animais, mesmo apesar da revolta darwiniana deles com todas as mutações e vírus que eles inventaram? Inventaram formas diferentes de dizer “amo-te”? Amaram de forma diferente em cada relação, não repetindo as mesmas palavras batidas e escrevendo os mesmos poemas que transformam um estúpido detalhe numa ode ao todo?
Adoptei a filosofia Budista (informalmente)há uns meses atrás e parece dar resultado. Interiorizar desejos e as coisas acontecem...não desejar, não lutar (senão caímos em Karma), deixar tudo fluir como tem de fluir porque o universo tem uma energia própria que nos conduz. Aprendi a aceitar a morte como parte da vida, como diz OSHO aliás, nem deviam ser duas palavras, mas uma só “Vidamorte”. A partir de cera altura da vida, a morte soa muito bem. E não depende da idade, mas sim da aceitação. Da auto-aceitação. Do não forçar nada. Do aceitar que cada um de nós tem um qualquer percurso, e vai ter, esperneando muito ou esperneando pouco.
Claro que gosto de me “queixar”, pelo mero exercício intelectual e social. Mas isso só me traz orgias mentais, e não paz de espírito. Reflictam, mas pouco. Relacionem-se, mas eliminem “relações tóxicas” para o espírito (Chopra). Anos de toxicidade, só dá uma intoxicação dolorosa demais, acreditem. E essa história de amor, é tão simples. É só estar lá. É só querer morrer por já ter tudo o que se sente possível. E o verdadeiro amor, esse, vem apenas quando o menos desejarem. Quando acharem que já não existia. Quando desistirem (eu sei que também é um pouco cliché, mas é verdade, é DHARMA!)

8 comments:

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

I N T E I R O S said...

muito interessante o ulemá

Nádia said...

É engraçado, não percebo nada de karma ou dharma, mas devo te dizer que essa noção de se deixar levar pelo caminho que temos de fazer até à morte não me é nova.
Acredito, pelo menos hoje (amanha dou-me à liberdade de mudar de ideias) que a nossa vida é simultaneamente dotada de livre arbitrio e de destino. É tipo um jogo de xadrez, um movimento de uma peça vai condicionar o movimento de todas as outras, mas as possibilidades de movimento são inumeras e nós, as peças, movimentamos-nos sozinhas, rumo ao fim de jogo desconhecido.
Mas é esse desconhecido que é o interessante na vida, sem ele era tudo demasiado facil. Desculpa esta frase foi cliché, mas uma amiga minha disse-me, recentemente, que tenho que me habituar aos cliches porque a linguagem é muito limitada.

Anonymous said...

A consciência reflexa ou reflexiva é uma das principais características que nos distingue dos outros animais. Por isso, é muito humano o queixar-se da sorte (noção também ela humanamente construída. As pessoas queixam-se da sorte por dois motivos: pela comiseração dos outros, para não se sentirem sozinhas na sua infelicidade ( apelo à noção de solidariedade), e porque ser feliz não é novidade - tal como nos animais, ser feliz é afinal uma falta de escolha, ser-se natural é ser-se feliz. Quanto ao amor, é o que nos mantém vivos e é necessário acreditar que existe para o saber reconhecer quando nos assaltar. Quando deixarmos de acreditar em qualquer forma de amor, morremos por dentro, o que é viver estando realmente morto.
Mas uma coisa é verdade: só o amor faz querer começar de novo. E se querer morrer é querer ser salvo pelo amor... então morra-se quantas vezes for preciso para se viver aquilo que se merece.