Friday, October 23, 2009

Os opostos atraem-se…

Em breve, regressarei a Portugal. Antes do esperado. A Unidade do Lubango da Universidade Gregório Semedo foi encerrada. Não há muito a discutir sobre este assunto. A nova legislação do ensino superior em Angola sairá em breve e logo se verá desenvolvimentos. Para já, tudo encerrou dia 18 de Outubro.

Os alunos tentam lutar à maneira deles, para tentar conquistar algo que achavam que já haviam conquistado. A tristeza e a desmotivação era clara. Muitas “lágrimas no canto do olho” destes angolanos, huilanos, que mais uma vez perdem algo muito importante. Muitos continuarão os seus estudos em Luanda na UGS, outros continuarão como alunos “à distância” outros manterão a esperança de um dia voltar a estudar, calmamente, na sua província: Huíla.

Quanto a mim, a mesma situação: ou continuo a ser professora em Luanda ou aguardo desenvolvimentos para um dia retornar ao lindo sul de Angola. É verdade que não conheço pessoalmente o norte, excepto Luanda, mas o Lubango mostrou-se uma cidade excelente para viver, em comparação com outras. Novas experiências virão…
Entretanto, duas experiências se seguem: Férias em Moçambique! Tenho férias marcadas para dia 09 de Novembro, nesse que parece ser um país ainda mais paradisíaco.
Controlo-me para não fazer pesquisas desmesuradas pela internet e ser assoberbada quando lá chegar. De seguida, em inícios de Dezembro, o regresso ao meu Portugal, ao fim de quase oito meses…

Sentir o frio na pele e ficar enrolada no sofá a ver a chuva a cair (Já disse isto há um ano atrás quando ia regressar a Portugal?). Usar gola alta e vestir casacos de lã? Entrar no carro a tremer de frio e ligar o ar condicionado no máximo? Arrepiar-me de meter o pé nas poças? Ir aos saldos, ao shopping com os amigos, jantar e ir ao cinema? Conduzir o meu carro (Já não conduzo desde Abril!)? Passar o Natal a rir e a cantarolar com a família? Aconchegar-me no meu sótão a ver televisão até às horas que eu quiser? Visitar os amigos que já não vejo há quase um ano? Estar de volta à minha casinha, com aquecedor ligado e um belo jantar e um bom vinho? Descansar e gozar um pouco todo este esforço de trabalho que representou estes oito meses…

O contraste de Angola com Portugal…os opostos atraem-me?

Wednesday, September 09, 2009

Simplesmente paisagem e "Kimbo"

E, por ultimo, simplesmente paisagem e "Kimbo"...





Huambo

Segue imagem da casa do Jonas Savimbi no Huambo. E imagem de uma FILA organizada de espera para a gasolina, o que é coisa rara por cá. Já estive em algumas cidades e só vi disto no HUAMBO!

Vemos também uma estatua bem bonita do centro do HUamnbo, retratando uma "Quitandeira" (Mulher que vende na rua, tendo uma "banca mais ou menos fixa") e "Zungeiras" (mulheres que vendem de forma ambulante, carregando consigo o material: pode ser roupa, bijuteria, sapatos e até já a vi a carregar botijas de gas!)

Por ultimo, uma casa completamente esburacada de balas...uma casa de alguém...





Menongue

Fotos de Menongue. E do caminho para lá...








Kuvango

Algumas Fotos de Kuvango, uma cidade bastante destruída...



Huambo



Seguem então Fotos da Praça Central do Huambo.

Tuesday, September 08, 2009

Menongue, Lubango e Huambo – uma viagem pela “Angola Profunda”?




No mapa pode parecer-vos pouco, mas acreditem, é muito! Mais uma “escapadinha” por “Angola Profunda” (como diz o Hermínio).
De 04 a 07 de Setembro, fizemos um total aproximado de 1200km pelo sul de Angola.
Apesar de ter outros objectivos também, aproveitamos então para conhecer a profunda África.

Saímos de Lubango às 08 da manhã de 6ª feira, dia 04 de Setembro, partindo para a Capital da Provincia do Kuando-Kubango, Menongue, que dista aproximadamente 400 km do Lubango. E que 400km! Seguindo pelo Kuvango, cidade totalmente destruída, parecendo mesmo fantasma, passamos por Cuchi, vila pela qual nem demos conta…
Acompanhamos a linha férrea nova ou renovada, obra ajudicada a empresas chinesas. Tentarei colocar aqui fotos de algumas partes da linha (não se assustem, os comboios andam devagar!) e de um descarrilamento a que assistimos (havia acontecido recentemente).

Continuamos pela estrada, sem saber se havia estrada. A minha noção de estrada muda a cada dia. Será que era por ali? Terra e areia? Era isso a estrada? Seguimos para o Menongue com terreno Minado de ambos os lados. Os avisos de minas podem ser sinalética própria (uma caveira com a frase “Perigo Mina” ou “Perigo de Morte”), ou podem ser simplesmente alguns troncos de arvore com um rabisco qualquer branco ou vermelho. Todos sabem que isso significa mina.
Seguimos mais de 150 km até Menongue por areia, lama, buracos, estradas onde só passava um carro e claro, minas de um lado e do outro. Uns bifes em “de vinha e alho” na geleira (na mala) prontos a ser churrascados e nem sequer conseguíamos parar!

Chegamos ao Menongue perto das 20h00.
Concluímos que andamos a ser enganados constantemente. Quando alguém nos diz “é num instante, são 4 ou 5 horas”, usualmente acontece-nos demorar 10h a chegar!
O Menongue é uma capital de província muito pouco desenvolvida. Encontramos apenas o supermercado “Nosso Super”, o que nos traz, diga-se de passagem, grande reconforto. Não encontramos um café, pastelaria ou Hotel à vista no centro da cidade.
Pelo que me dizem, foi grande teatro de Guerra e começará em breve a evoluir.
Acampamos no espaço de uma empresa portuguesa que gentilmente nos deixou montar as tendas, e nos ofereceu uma rico café, na que comprovadamente era a Única máquina de café de Menongue! Rico “Cimbalino”.

No dia seguinte concluímos que não era exequível voltar a passar pelo sofrimento da estrada minada, acrescento o pormenor ainda de não termos qualquer rede no telemóvel durante HORAS de viagem…

Decidimos partir para o Huambo. Voltaram a enganar-nos. “de Menongue a Huambo são 4 ou 5 horas”, são os tais 395 km. Afinal, demoramos quase 7 h, mesmo descontando 1 hora e meia para breve churrasco na berma da estrada. Literalmente em cima do alcatrão, pois se entrássemos para o terreno corríamos risco de MINAS novamente.
Atravessamos centenas de pequenas populações. Isoladas. Em volta do Lubango, surgem os “Kimbos”, com figuras semi-tribais. Mas quando subimos para Huambo, já surgiamm menos “Kimbos” e mais “musseques”. Relembro, na minha ingenuidade de quem vai descobrindo aos poucos, o “Kimbo” é realmente artesanal, feito de palha/capim/hastes de madeira de arvore e por vezes, em sítios frios, as populações forram o Kimbo por fora com barro. O “Musseque”, penso que também chamado “Sanzala”, é uma pequena casa, já construída com tijolos feitos de barro, à moda da construção moderna (tijolo-sobre-tijolo) e, usualmente com telha de chapa de zinco, com pedras pousadas em cima par o telhado não levantar. No Musseque já existem geradores, parabólicas, motas, carros e “jeeps” (passo o estrangeirismo…carros todo-o-terreno).

As populações do Kimbo estão mais naturais: vivem do seu gado e algumas plantações, sem grande influência das modernices.
Chegar a Huambo. Reflectores na estrada. Estrada! Estrada pintada. Pintada com bermas e traços a dividir a estrada. Não há buracos na cidade. Não há lixo. Avenidas largas, edifícios públicos iluminados. Parecia a nossa querida “Avenida dos Aliados by night”.
Procuramos Hotéis. Hotel Ritz, Hotel Nino, Residencial (Grupo SISTEC). Acabamos no Hotel Nova Estrela (recomendo!), mesmo perto do centro. Totalmente equipado com tudo o que se possa imaginar que exista nas lojas de comércio asiático. E mais umas imitações de cabeças de veado e elefantes na parede. Um pseudo Luxo “Kitsch”. Quarto kin-size, com plasma e banheira de hidro-masssagem. Era outra Angola.

Jantamos na Cervejaria “Novo-Império”. Um rico Bitoque, ou melhor, como na minha terra um “Prego no Prato” com tudo. Numa esplanada com clima óptimo. Sem humidade
Depois de um excelente pequeno-almoço e umas centenas de “ahs” pelo caminho, estava na hora de voltar ao Lubango. Mais uma vez, diziam que era uma viagem para 5 ou 6 horas. Saímos do Huambo às 12h00 e chegamos a casa às 24h00.
Péssimas estradas, “picada”, atolamentos e zero-sinalização. Churrascamos a 30 ou 40 km de Caconda: de churrasco teve pouco, pois fizemos arroz de chouriço…em cima das brasas.
Passamos Caconda já a anoitecer e aí começou o pior. A rede foi-se de novo. A estrada enlameada. A concessionária decidiu molhar a estrada durante a noite o que causou atolamentos. Tivemos de parar e ajudar um camião. Amarraram a cinta ao Jeep e lá os tiramos.

Durante o dia já havíamos realizado uma boa acção: um cachorrinho de 2 meses a morrer na berma da estrada. Não quis fotografar para tentar esquecer a imagem de quase-morte. O calor a escaldar o alcatrão. O seu quase-último suspiro. Paramos o carro e quando chegamos lá perto ele quase que nos cai nas mãos. Terra no olhos na garganta, a língua branca, a boca cerrada. Chamei-lhe “Manel” naqueles nimutos e deitamos-lhe agua pela goela abaixo. A respiração por vezes ofegante por vezes a parecer esgotar-se. Fiz uma serie de testes rápidos. Não estava cego nem surdo. Não tinha instinto de deglutição. Mas sabemos que não podemos dar água em quantidade a quem já não bebe há dias. O cachorrinho deve ter sido desmamado havia dias. Tinha uma espécie de planta amarrada – mão humana. Abrirmos um “yogurte”, penso que a lactose despertasse, mas já quase sem esperança. O que faríamos? Deixar À morte lenta? Levá-lo? Para onde? Para a próxima civilização? Se foi alguém da civilização que tinha amarrado aquilo ao pescoço, sei lá se não para o matar? Mais valia desenrascar-se sozinho. África, não é um bom país para animais. Não há (ainda) espaço para carinho para animais. De repente, começa a beber o “yogurte”, com uma força de quem se agarra à última oportunidade de viver. Lambeu tudo. A língua vermelhinha. Tínhamos de continuar. Lavamo-lo, limpámo-lo e alimentámo-lo. Agora era com ele e com o Universo.
Em Caconda e Calumquembe fomos mal informados. Não existia sinalética e não conseguíamos encontrar a “estrada” para o Lubango. Estrada, que significa caminho de bois, claro.
Pelo caminho, por vezes, pedíamos informações à polícia. Alguns bêbados queriam entrar para o carro e vir indicar a estrada.
Às 24h00 chegámos ao Lubango. Bendita a sinalização. O Lubango é claro, é uma cidade que se percebe bem, na qual se circula bem.
Fica aventura. Já agora fica o “mapa das aventuras”. Pode parecer pouco, mas já cá estão os milhares de quilómetros. “Those were the days of our lives”…mas custou bastante. Já tenho saudades de viajar de avião!

O dia de trabalho começou ainda com o cansaço acumulado da viagem. E sem um chuveiro merecido, porque a electrobomba falhou, sem lençóis ou toalhas porque a logística falhou, sem pijama para dormir porque não estava lavado, com vários assuntos pendentes, trabalhos para corrigir, etc.,etc. etc,…
Em breve publico fotos da viagem…

Sunday, August 30, 2009

O "Baptismo dos Caloiros" no Lubango






A minha carreira de escritora vai de mal a pior. Para alguém que sempre sonhou escrever, ando a ficar muitas vezes sem palavras. Angola.

Alguém que sempre quis contar coisas, agora tem dificuldade em contar. Talvez seja a preguiça que por vezes a imagem cause. Quem esteve lá, sabe que está tudo lá. Pode-se escrever, dizer, gesticular, gravar, fotografar…nada se compara a viver.

No passado dia 29 de Agosto decorreu o Primeiro Baptismo dos Caloiros da Unidade de Apoio Académico do Lubango da Universidade Gregório Semedo. Apesar de notícias incómodas relacionadas com a nova legislação para o Ensino Superior em Angola (que será emitida em breve, dizem há alguns anos), nada pára a força e a energia de quem luta, de quem esforça, de quem trabalha, de quem gosta.

Mais clichés. Não há palavras.

A tradição académica em Angola não parece forte. Não existe traje académico, fitas ou chapéus, Latim, praxe ou federação académica regulamentada, e logo, quando existem praxes ou baptismos de caloiros (ou verdinhos, como é mais frequente dizer), não raramente se cai em práticas humilhantes, que caem no fácil e ridículo (como aliás, tem vindo a acontecer noutros países do mundo, inclusivamente Portugal).
Mas a cultura da UAA-UGS do Lubango criou-se lenta mas profundamente. E reflectiu-se, ontem, dia 29 de Agosto, plenamente nas práticas inteligentes, sapientes, divertidas e culturalmente ricas levadas a cabo no “Baptismo do Caloiro da Unidade de Apoio Académico do Lubango”.
O programa incluiu actuação de cantores, grupo teatral, discursos formais de algumas pessoas, o Baptismo, um pequeno cortejo pela cidade, um excelente buffet/almoço, dança, diversão, etc.
Mas de tudo isto, são as pessoas que conta. O fervor com que os alunos vivem a felicidade de estudar numa universidade. O respeito que nos têm. Melhor que isso, o carinho que demonstram.

Obrigado a todos os alunos da UGS UAA-Lubango, por terem passado pela minha vida.

Parabéns a todos e a todas.

(E cá vão algumas fotos. Tentarei publicar outras de melhor qualidade daqui a uns dias)
video

Tuesday, August 11, 2009

Só mais umas fotos ...


E Mais Fotos de Benguela e Lobito

Mais fotos...desta vez, da NOVA ponte da Catumbela, que liga o Lobito a Benguela. Foi construida pelo CONSORCIO SOARES DA COSTA / MOTA ENGIL.

E umas fotos da BAÍA AZUL, praia em Benguela...(Note-se que aqui estamos no "Inverno", ou seja, cacimbo...logo, ao contrário das minhas expectativas, a água estava fria...)





Benguela e Lobito

Como estou carregadissima de trabalho, não há tempo para reflectir e descrever Lobito e Benguela. Fica para a Próxima Oportunidade.

Por ora, ficam apenas as fotos...





Uma aventura no CONSULADO DE PORTUGAL em ANGOLA

Pois é, não se queixe quem tem dificuldades em lidar com o consulado de Angola em Portugal, porque no Consulado de Portugal em Angola, Benguela, vai dar ao mesmo.
Uns dias antes, com todo o cuidado do mundo, visitamos o Consulado Virtual, medida Simplex.
O Site permitia marcação do dia e hora a que iríamos lá e informava que era apenas necessário o BI e uma fotografia.
Afinal, ninguém tinha acesso ao site, parecia que nem sabiam o que isso era! Afinal eram duas fotografias e não uma, e não podiam scannerizar, fotocopiar nem nada. E Alem disso, o site informava que fechava às 12h30 e na realidade fechava às 12h00.
Podíamos ir tirar fotografias rápidas mas quando voltássemos já estaria fechado.
Nem explicar que fizemos 400 k m (do Lubango a Benguela) de propósito para fazre a inscrição consular parecia adiantar. O recepcionista ainda falou com o cônsul, mas parecia não adiantar. Disse que abdicava do cartão consular, que depois iria lá buscá-lo. Não adiantava.
Depois irritei-me, e disse que não saía dali sem me inscrever. Sou cidadã portuguesa e quero apenas dar a conhecer ao meu consulado que estou cá.
Lá permitiram, mas tínhamos de tirar fotos. Não no Chinês rápido (em Angola, todas as lojas de fotocopias e fotografias são de asiáticos, talvez chineses, vietnamitas etc). Ao contrário do que todos dizem, benditos sejam os asiáticos. São dos poucos que REALMENTE trabalham por toda Angola. Em pouco tempo temos copias, digitalizações, fotografias…tudo bem feito e rápido! Se não fossem eles, não sei quantas eternidades eram necessárias para tirar fotografias numa cidade Angolana.
Mas não. Dizia o recepcionista do consulado que era melhor ir tirar mesmo ao Fotógrafo XPTO. Fotografias com fundo branco, se não, não aceitam! A Minha fotografia do Passaporte português tem fundo azul!
Enfim…saí do Consulado eram 16h00. Um dia perdido. E eu tão contente à entrada do consulado por estar a entrar em solo português…

Saturday, August 08, 2009

Benguela e Lobito

Acabaram os três dias de férias em Benguela e Lobito. Amanhã publico as fotos. Ao menos o cheiro a maresia já me melhorou o humor.

Friday, July 10, 2009

As termas da Montipa







Finalmente, mais um fim-de-semana de descanso. Se há alguns meses atrás eu constatava a diferente (e lenta) temporalidade ou noção de tempo aqui em Angola, ultimamente constato o exacto oposto. Os dias não chegam para resolver metade dos assuntos, e poucos ajudam. Realmente, aqui são necessários regras bem rígidas para que o trabalho apareça. Talvez seja o clima que faz com que quase todos funcionem numa “calma inexplicável” que por vezes roça a irresponsabilidade. Sem pormenores, só eu cá sei. Depois de uma semana de exaustão total, cheguei a um ponto de nem sequer conseguir elaborar um pensamento. Estava totalmente e mentalmente esgotada.
Foi tempo então, de planear rapidamente, uma ida às termas. Sou aquista ou termalista convicta, e ao saber da existência de uma espécie de instância termal perto Lubango, de imediato quis conhecer.
Depois de mais de duas horas de caminhos travessos através da Serra da Chela, chegamos à Bibala e seguimos depois em direcção à Montipa (que as pessoas pronunciam “Mutipa”). Dezenas de carros com suas tendas de campismo elaboradas já lá estavam. Fazia lembrar um pouco o campismo “à portuguesa”, com mesa posta para o jantar, rádio (geradores para várias coisas), tendas de grande qualidade, e até tachos a fazer o “estrugido” como manda a lei… (de relembrar que realmente eram quase todos portugueses…)
Nós estávamos numa onda de campismo o mais natural possível: arranjar lenha no local (à “catanada”), umas fêveras em “de vinha d’alho” num “tupperware”, um maduro tinto do Dão e pouco mais. Conclusão: às 19h00 lá estávamos, a comer umas fêveras na brasa no pão, só com a luz do luar (que por sinal, até ilumina bastante!).
Depois fomos espreitar a piscina. Oito da noite e tinha uma dezena de pessoas (principalmente crianças e jovens), e a água bem quente. Um sapo andava à volta da piscina.
Depois de uma noite de sono, acordámos de manhã com calor. Comprei essa tenda numa loja de produtos asiáticos por 2000 kwanza (cerca de 20 euros) e esperava que se desintegrasse, mas aguentou-se bem.
Ao pequeno-almoço, uma pequena fogueira para colocar água a aquecer para o café. Cheirar o mato. Olhar para o céu limpo. Respirar fundo e fazer umas posturas de Yoga discretamente. Ir ao WC (no mato). Comer pão com manteiga e café. Vestir o biquíni e saltar para dentro da água.
Acerca das propriedades químicas da água percebo pouco, mas não se tratavam de águas com muito enxofre: quase não tinham cheiro.
Existia muito “verdete” na piscina mas é limpa, e sabemos que há limpeza regular, pois à ida embora um “funcionário” veio cobrar 250 kwanza por carro (cerca de 2,5 euros)!
Uma espécie de hotel abandonado, as termas construídas por portugueses mesmo onde a água brota, fechadas a cadeado. A piscina com bancos em granito a toda a volta e mármore no chão.
Lá entrei e relaxei. O sol era forte mas estar na água quente não era insuportável. Deixei o corpo flutuar enquanto me dava umas lições de moral “tens de trabalhar menos, descansar mais, saber quando parar antes de cair de cansaço”. Mas, no final de tudo, o trabalho feito dá gosto de ver.
No dia anterior parti um dente (por acaso era um desvitalizado), e na hora de almoço (churrasco de chouriço criolo e barriguinhas de porco), parti a restante parte do dente. Pensei o que fazer. Os alunos tinham-me dito para ir à Namíbia quando o assunto é saúde. Quem tem o mínimo de rendimento em Angola, não trata de assuntos de saúde em Angola, mas sim na Namíbia.
Depois de almoço, mais um relax na piscina. Mas era sol de pouco dura. Entre arrumar tralha, fazer almoço, etc., já tinha passado o fim-de-semana. Não parecia durar. Tudo agora parece passar depressa demais.
Retornamos pela serra da Leba, uma vez que já fazia noite, e a estrada da serra da Chela é na realidade um caminho de cabras, bois e outros animais, que não tem luz, asfalto nem nada. Encontramos, no entanto alguns sinais de pedra portugueses, do tempo colonial.
De volta à cidade. Quase 21h00. Hora de um café antes de ir para casa (Café “Planalto, um dos melhores do Lubango”). O fim-de-semana acabava. E eu já a pensar em tudo o que tinha para fazer…