Saturday, April 05, 2014

Liberdade - Independência - Solidão

A vida levou-me num turbilhão de trabalho no último mês. É a vida dos Freelancers ou dos inempregados (para saber mais, ver o blog do meu Doutoramento!)!

Já começava a sentir saudade de escrever sem prazos, sentar-me em frente à tela branca do blogger e escrever as minhas conclusões humanas...ou quando não há conclusões, reflexões...

E nas passadas semanas um tema tem surgido bastante à minha volta: a SOLIDÃO.

Infelizmente para a língua portuguesa (extremamente rica quando comparada a outras!) parece não haver uma palavra que designe o estar só de uma forma positiva.

No inglês, a distinção entre ALONE e LONELY parece adequada. Alone é estar só. Talvez Lonely seja sentir-se só.

Para efeito desta breve dissertação, vou criar uma barreira entre duas palavras.


e
SÓZINHO.

Partamos do princípio que Só é uma palavra mais neutra, mais limpa. Constata um facto. Estamos sós.
E partamos do outro principio que Sózinho é uma palavra com um cariz , um pendor mais negativo, atribuído pelos seres humanos...claro.

Agora sim, posso avançar.

Parece que a sociedade actual foge da SOLIDÃO. Todos parecem achar que estar sem ninguém, é negativo.

A Solidão é já tratada como uma doença social, e apesar de em muitos casos poder ser uma realidade, existe uma vertente da solidão incontornável, positiva, inevitável para quem deseja evoluir...e agora introduzo os outros dois grandes substantivos do meu título: LIBERDADE e INDENPENDÊNCIA.

Só quem sabe estar só, pode ser livre.

Só quem sabe estar só, pode ser independente.

Até a palavra LIBERDADE, uma das mais belas inventadas pela espécie humana, parece ter absorvido teor negativo. "Deste-lhe liberdade a mais..."...

A liberdade e a independência não podem ser dadas. São conquistadas. Não conquistadas AOS outros, como um império à força. Conquistadas por nós a nós próprios...complexo? Sim.

Estar só. A paz de estar só é dos sentimentos mais belos do mundo. Não é estar só por NÃO ter com quem estar, é estar só porque estamos com quem queremos estar.

Se uma pessoa não é capaz de estar consigo própria...será a sua companhia tão desagradável? tão insuportável?

Num filme qualquer uma personagem disse algo do género: tenho sorte de estar só, porque posso estudar calmamente o assunto a matéria mais interessante! : EU próprio!

Como psicóloga, claro que a minha vida roda à volta dos dilemas humanos, das crises das pessoas, da análise, de fazer os outros verem padrões nas suas vidas que eles próprios não conseguem ver. 

Mas, no final das contas, o ser HUMANO que eu tenho sempre comigo para analisar...sempre à mão: SOU EU.

Infelizmente também, quando nos colocamos em primeiro lugar acima de tudo, a sociedade parece nos ter incutido que somos EGOÍSTAS, egocentrados, egocêntricos...todas estas palavras têm um pesar negativo.

Há palavra positiva que designe o eu gostar de mim e de estar comigo? A SÓS? De passar tempo comigo? De me reflectir, de me analisar? De testar os meus limites? de integrar as minhas experiências? 

Não me lembro de nenhuma...sugestões?

Depois, acerca de todos os outros assuntos, opiniões, temas de debate à nossa volta...como podemos formar uma opinião, sem estar só?

Como podemos pensar pela nossa cabeça? pela nossa própria cabeça? Sem vozes à volta, sem tv, sem rádio, sem internet, sem ser manipulado por alguém (mesmo que parece ser para nosso bem),sem NINGUÉM?

Sem solidão, nunca poderá haver liberdade.

Ser livre, é pensar por si.

A SÓS.

Há pessoas que não suportam o silêncio. Por vezes vejo desconforto nas aulas de Yoga ou de meditação quando as pessoas mergulham no silêncio, coisa que não faziam há anos...talvez desde o ventre materno!

O silêncio ensurdece...diz um ditado. Pois, felizmente, o silêncio ensurdece, pois faz-nos ficar surdos para as vozes dos outros e faz-nos ouvir a voz que temos lá dentro. A nossa voz. Que andamos tão atrapalhados no corre corre contra o tempo, antes que chegue a morte (tema sobre o qual também não se pode falar, é melhor fugir!) que não paramos para nos ouvir a nós próprios...

Será que a nossa voz interior não diz nada de jeito?

Será que nos temos a nós em tão fraca conta que nem nos ouvimos?

Será que as pessoas têm MEDO de ouvir o seu silêncio? De ouvir verdadeiramente o que o nosso eu interior lá no fundo pensa, acha, sente?

A nível macro-social como podemos ter pensadores LIVRES, se não sabem estar sós?

Se é tão terrível assim estar comigo, se eu nem se quer quero estar comigo, quem quererá? (faz lembrar uma publicidade qualquer ...eu sei.)

O ser humano é um ser gregário. Vive em grupo, partilha, entreajuda.

Mas desde sempre soube estar só em determinados momentos.

Será que a perda desta competência não explica grandes males atuais do mundo?

Ir a correr para a net ou para o telemóvel porque se PRECISA de estar, de falar, de ver alguém...de ter muitos amigos...é o primeiro sinal de que estamos a fugir de nós próprios.

Se fugirmos de estar connosco, quem somos?

Sunday, February 16, 2014

Efeito Zeigarnik - finalmente compreendo do que sofro...

Está explicada a minha frustração dos fins. De querer acabar tudo. De ver tudo resolvido. E de me lembrar mais facilmente do que deixei por fazer do que do que já fiz.

É o Efeito Zeigarnik, relatado e aprofundado pela psicóloga russa Bluma Zeigarnik (1901-1988), clique aqui para saber mais.

O Efeito Zeigarnik é uma tendência do psiquismo humano para lembra-se melhor e com mais frequencia das tarefas inacabadasem detrimento daquelas que já foram concluídas.

E pelos visto é também o motivo pelo qual estou viciada no Candy Crush. (E aqui está um artigo só para esse assunto)

Se vocês também ficam com uma tensão enorme e sempre a pensar no que não acabaram de fazer , então leiam uns artigos interessantes aqui e fiquem a conhecer-se melhor: 

http://www.calldaniel.com.br/blog/bid/331913/Lembrar-ou-esquecer-Efeito-Zeigarnik

http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/sabe-por-que-o-joguinhos-viciam-pelo-mesmo-motivo-que-voce-precisa-saber-o-fim-da-piada-o-efeito-zeigarnik-leia-pra-entender/2013/08/08/


Nestes sites, pode também descarregar e-books que ensinam a gerir esta tensão!

Boa sorte!

Sunday, January 19, 2014

O fim. Os fins...



Esta semana um dente morreu na minha boca.
Eu senti-o a morrer aos poucos, talvez há mais de 1 ano que estava a morrer.
Cada semana, mais ou menos consciente sentia um pouco da sua morte.
Houve um tempo em que algo morrer em mim me perturbava bastante.
Houve um tempo em que a morte me perturbava.
Houve um tempo em que os FINS no geral eram um problema.

Como escritora (a minha principal vocação desde os 10 anos!, mesmo que tenha muito pouco publicado!) criar um fim para uma história sempre foi o momento mais difícil
E mesmo quando sabia que fim, era difícil escrevê-lo.

Sempre senti que o fim é realmente o que dá sentido ao meio e ao princípio de tudo. Hoje sei que apesar de o fim ser resolutivo e de existir um alívio incomparável em qualquer fim, o fim não enaltece nem anula o princípio nem o meio.
Se isso é fácil de pensar em relação a pequenos fins, é muito difícil em relação a grandes fins (relações, mortes...etc.).

A minha segunda grande paixão é o cinema. Como cinéfila quase obsessiva vejo-me muitas vezes a meio do filme a pensar no fim. E a julgar o filme pelo fim que terá.
Uma História de Amor (2013) Poster 
Então, desta vez, decidi registar isto. Para que eu própria nunca me esqueça.

Estou a amar este filme. HER . Nomeado para os óscares 2014.

Estou a vê-lo neste preciso momento. Só parei para escrever. 
É tão belo, tão puro, tão arrebatador que não quero que, seja qual for o fim que os autores decidiram, estrague esta minha visão dele. Estou a amar este filme. E a única coisa que conta é o presente.

O passado é uma história que contamos a nós próprios (acho que ouvi isto em algum sítio...) e o futuro ainda não existe.


Por isso, aqui neste presente, amo este filme. E não interessa o fim.

Sunday, January 05, 2014

Tempo

Durante muitos anos ouvimos os mais velhos dizer que o TEMPO cura tudo.
Durante muitos anos, parecia sabedoria barata, rápida e viravamos costas e continuavamos a viver a mil.
Hoje sei o poder do tempo. O Poder da Espera. O enorme poder da Espera. Não é de esperar por alguém (que isso não faz muito sentido), é o de esperar por nós próprios, de esperar que a vida flua, de esperar que a vida aconteça.
Esperar que nos consolidemos, que nos construamos, hora a hora, dia a dia, de ser pacientes connosco próprios.
Se sei hoje que o tempo cura tudo, sei que não é "dar tempo ao tempo" como dizia o Povo, mas dar tempo a mim.
Dar tempo ao meu eu de estar. Dar-lhe tempo para ele simplesmente ser, sem eu própria o julgar, sem exigir nada dele, dar tempo ao meu eu de se aceitar tal como ele é.
Por vezes as pessoas não compreendem isso. Querem que nos transformemos rapidamente, querem que lutemos, querem que mudemos.
Mas uma lição muito importante da vida é essa: Quando tudo parece estar uma desgraça total, temos de dar tempo ao nosso eu para que ele se adapte. Podemos estar a ferver por tudo e por nada, podemos ferver com os outros, podemos (não devemos) até culpabilizar o mundo todo à nossa volta por qualquer coisa, mas é o nosso eu que tem de encontrar a sua auto-aceitação.
A arte da paciência é ainda mais dificil quando temos de ser pacientes connosco próprios.