Sunday, October 30, 2011

A Ilusão de liberdade

Todos precisamos de liberdade. Ou pelo menos de sentir a ilusão de liberdade. Eu preciso. E ultimamente tem sido difícil ter essas sensação. Viver entre 4 paredes literalmente, em 20 m2 ou algo assim, corta essa sensação. Não ter carro corta essa sensação. Não ter um espaço para viver a solidão, para chorar, para gritar, para cantar alto ou dançar livre pelo caminho.
Sentir que não tenho para onde ir, porque estou isolada de tudo. Sentir que tudo à minha volta me impede de fazer o que quero.
Podem dizer que "é a vida", mas basta viver com a tal ilusão de liberdade, que o nosso sentir é já diferente. O carro parado lá fora é ilusão de liberdade. Uma casa com mais de um compartimento é ilusão de liberdade. Poder sair, a pé, para algum sítio. Sentir que temos amigos aos quais podemos ligar a qualquer hora para tomar um café, mesmo que não liguemos, é a ilusão de liberdade que nos alimenta. Ou será mesmo a liberdade? Não interessa a nomenclatura que lhe demos.
Ser livre é pensar livre. E, ultimamente, o problema é meu. A minha mente não está a conseguir pensar que é livre.

Friday, September 23, 2011

Novo projecto: Ginásios com micro geração de energia

Tive uma ideia. Já que há falta de energia renovável e limpa, situação que está sempre a gerar discussão em Portugal, Porque não  criar Ginásios com micro geração de energia?

Eu explico.

Portugal, segundo ouvi dizer, compra energia a outros países. A EDP e outros forncedores estão prestes a aumentar o preço do fornecimento.

Ao mesmo tempo, constato que cada vez há mais ginásios a abrir e mais gente a querer preder mais peso. Ora, isto é um grande desperdício! Porque é que não se cria um sistema de geração de energia ligado as passadeiras, bicicletas e todos as outras maquinetas todos que estão nos ginásios!!!??? Por favor, pensem nisso! Estamos a desperdiçar energia que nós próprios produzimos!

Já imaginaram não ter de pagar a conta da Luz? Basta ter um acumulador, fazer 3 horas de Spining por semana e já está! E se marido e mulher e filhos dividirem as tarefas na passadeira poupa-se na conta de electricidade e, logo, perde-se peso, logo, reduz-se a obesidade, logo, reduz-o o risco de ataque cardíaco e morte por problemas coronários, logo, o desporto elevado o humor, logo, provavelmente reduz os niveis de depressão (que têm vindo a aumentar em Portugal), logo, logo, logo...

Digam lá se eu não tenho razão? Alguma empresa ou engenheiro quer avançar com esta ideia? Eu ofereço a ideia, nem quero comissão nem nada, mas avancem! (Por favor, digam que a ideia é minha, pois matei diversos neurónios a pensar nisso, e como sabem, os neurónios não renascem...)

A vida em pausa

Às vezes tenho uma clara e nítida sensação que tenho a vida em pausa.

Tenho um nítido sentimento que estou algures numa pausa e que vim aqui viver um pouco. 

Depois, caio em mim e concluo que isto é que é a vida "a sério" e que este momento é que foi uma pausa. 

Será? Talvez ande a ver muitos filmes sobre viagens no tempo, mas essa sensação de pausa faz-me sentir que a qualquer momento vou voltar à outra coisa que eu estava a fazer ou à outra vida que eu estava a viver e que, quando lá chegar, só passou um minuto ou um segundo. 

Mais alguém partilha deste sentimento?

O facto de ter vindo trabalhar para Angola ilustrou-me pela primeira vez este tal sentimento.

Em 2008, quando vim para o Lubango, muitas vezes tinha a sensação que tinha deixado a vida em pausa em Portugal.

O problema é que, apesar de saber que não é verdade (ou ter quase a certeza!), quando retorno a Portugal essa sensação acaba por sair reforçada, pois encontro a maioria das coisas exactamente como as deixei!

Às vezes o mesmo papelucho que deixei em cima da mesa ainda lá está, as pessoas parecem iguaizinhas ao aspectos que tinham no dia em que tomei café com elas há 4 meses, o meu carro esta lá a minha espera e, as vezes, até a minha roupa parece ainda cheirar a mim.

Será que não passou apenas 1 segundo desde que sai de lá?
Ou o facto de ter completado agora 33 anos, uma idade algo mítica, fez-me entrar numa nova crise?

Sunday, July 24, 2011

As Férias Maratona: Biarritz, San Sebastian, Santander, Bilbao e Gijon

Uff. 
Que cinco dias. A fome de conhecer o mundo é grande, mas desta vez abusámos um pouco!
Em cinco dias apenas, fizemos cerca de 2500 quilómetros! Desde Biarritz / Baionne (França), passando por San Sebastian (Donostia, em Língua Basca), seguindo para Bilbao, depois Santander e, por fim, Gijon. 
O Plano inicial incluia terminar em Lugo, nas Termas Romanas mas terá de ficar para  a próxima oportunidade.


Como sempre, gosto de fazer o meu mapa resumo. Em baixo, fiz o percurso a VERDE para a IDA e o percurso AZUL para o regresso!



Em França, estive na casa onde nasceu Maurice Ravel, em Ciboure, perto de Biarritz. Notem que foi tudo uma grande coincidência, mas eu sempre adorei o pouco que conhecia do trabalho de Ravel e foi das primeiras músicas clássicas que ouvi em criança.


San Sebastian é uma cidade muito interessante, organizada e muito cuidada.


E agora, algumas fotos minhas de Biarrizt e San Sebastian...


















Em Bilbao fui finalmente a um Guggenheim . Esperava encontrar alguns clássicos, por exemplo, um "Picassozito" ou um Monet, mas era quase tudo arte moderna. No entanto sabe sempre bem, tentar ir além das nossas limitações. Além disso, sempre achei que a minha mente e a minha educação tinha tido pouca estimulação artística (E relembro que toda a nossa educação e ensino repele bastante a arte...pensem nisso!).


Mas só estar em frente ao Museu já é uma sensação fantástica. Para quem não conhece, aqui ficam algumas fotos. 






E Aqui está o Pollock que eu vi. Estive a centímetros dele, o que é emocionante para quem conhece a história do Pollock. É realmente um artista que sempre me interessou. Se querem saber mais sobre este artista visionário clique aqui . Também aconselho vivamente o filme "Pollock" (Clique aqui para ver a ficha técnica) .




A seguir, Breve passeio em Santander. Mais uma vez, algo magnifico nos surpreendeu. A actual Universidade Internacional Menéndez Pelayo foi a residência oficial de verão dos Reis de Espanha. O Pálacio da Madalena, as suas paisagens lindas, um mini-zoo com leos marinhos e pinguins e praias deslumbrantes, acabaram por nos proporcionar uma tarde inesperada!


Para saber mais sobre o pálacio, Cliquem aqui


E para terminar, mais umas fotos, em Bilbao e Santander.




















Quanto a Bilbao, é a cidade que eu esperava. Cosmopolita, cheia de historia, com detalhes inesperadors em monumentos e edificios.

Gijon, uma pequena cidade essencialmente turística, mas bastante agradável.

Infelimente,ao longo dos 5 dias vivemos momentos de grande vento, frio e chuva. Tivemos até de ir comprar corta-ventos!


E por ora é tudo. É um breve resumo de umas férias curtas mas recheadas de história, arte, aventura, frio, chuva, dificuldades linguísticas diversas, uma ligeira avaria nas luzes do carro (o que nos impediu de circular à noite durante 3 dias), etc, etc...mas tudo soube muito bem, porque  foram FÉRIAS!


Daqui a 4 dias volto ao trabalho. 

Vou aproveitar uns dias de descanso caseiro, recheado de filmes e series, e rela no sofa, enrolada numa mantinha a beber um chá...




Friday, July 15, 2011

Where is The Simple Life?

Cá estou na minha querida "Tuga" (Para quem não sabe - e eu não sabia até há uns meses atrás - esta é a forma, na minha opinião carinhosa, com que os portugueses em Angola se referem a Portugal).


Adoro o meu país e entristece-me se os portugueses estão tão concentrados na politica e na economia, que não conseguem ver o país fabuloso que temos. 


O que é curioso e até preocupante, é que, há uns anos atrás, as pessoas queixavam-se muito que não percebiam nada de politica ou finanças ou algo do género e, por vezes, até acresecentavam que nem queriam saber. Hoje em dia temos economistas instantâneos, na rua, nos cafés e analistas políticos em toda a parte...


fora isso, Portugal está muito confuso. Cansativo até. Tudo é visualmente cansativo. As roupas são demasiado estampadas. A oferta é tanta que uma pessoa cansa-se facilmente. A quantidade de marcas concorrentes nos corredores dos hipermercados é assustadora!


E parece que há sempre algo mais...alguma coisa é mais Light, é mais PLUS, é para cores e outra para preto, e a outra é SPECIAL e a outra coisa é selecção especial, e a outra ao lado e HIPER, e  outra tem talão, ou tem cupão, ou tem cartão, ou tem vale...ou ...uff...ou tem promoção, ou é 2 em 1, ou é 3 em 1, ou é ecológico, ou é de agricultura biológica, etc., etc. ...e parece que nunca mais acaba.


Onde ficou a ideia "Com o meu vestido preto ou nunca me comprometo"!!! Onde raio é que eu arranjo uma CAMISA BRANCA pleaaaassseeeee!!!


Afinal ,eu vivo a "simple life", e nem tinha reparado... 

Tuesday, June 28, 2011

Livro "Ser Psicólogo" Editado pela HM Editora

Hoje, oficialmente lancei o meu livro. O que começaram por ser umas notas para entregar aos estudantes, rapidamente se transformou num livro. Comigo, é sempre assim. Acho que algures no tempo perdi a capacidade de escrever três palavras apenas...

Mas tenho orgulho. Decidi deixar sair a escritora que vive em mim desde os 10 anos. Com essa idade, mostrei um poema ao meu professor de português, que ficou delirante e me incentivou a escrever mais.  Porém, as pressões externas foram tais, que em breve, fui "abaixo". Escrevi muitos contos, muitas short-stories, muitos blogs, muita literatura infantil e as gavetas ficava cheias. Cheias com as obras e cheias de cartas de editoras a dizer que aquele não era o momento ideal, ou que não estavam previsto no plano editorial, e mais uma imensidão de desculpas.

Em casa, ainda guardo essas cartas todas. Mas agora quem manda sou eu. Graças ao Hugo Mota, da HM Editora, pude finalmente lançar o meu primeiro livro. Um especial obrigado pelo interesse, atenção e dedicação deste editor!

"Ser Psicólogo" é uma reflexão pessoal mas de cariz técnico-científico. Mas tem muito de mim. Sou escritora, de alma e coração, e agora que comecei não vou parar.

Por fim, os agradecimentos muito especiais à minha grande amiga e psicóloga Prof. Dra. Rosina Inês Fernandes, por ter aceite escrever o fabuloso Prefácio do livro! Abraços!




Wednesday, June 08, 2011

Hoje transformei uma tábua de passar a ferro num cabine para écharpes


Não há melhor forma de perceber o provérbio “a necessidade aguça o engenho”, do que realmente passar pela situação de ter pouco.
Já vos aconteceu uma tábua de ferro simplesmente reintegrar-se? Cair ao chão cada vez que tentam passar a ferro uma peça? Gingar como uma doida? E já vos aconteceu sentirem que pagaram por um produto que simplesmente não presta? Pois, isso é comum aqui em Angola, e talvez noutros sítios. Toda a gente vende coisas a preços exorbitantes, tentando realizar lucro com produtos péssimos.
Então, o que fazer? Por a tábua ao lixo? Não. Desmontá-la. Aproveitar cada parafuso, cada dobradiça, e a própria tábua, que um dia servirá para algo. E sabem aquele suporte de metal onde pousámos o ferro? Para que poderá servir? Como reciclá-lo? Alguns segundos depois, o insight. Um cabine para lenços.
É assim o viver todo-o-terreno. Transformar coisas noutras coisas, libertar a mente das regras que a sociedade nos incutiu, levar o desenrasque ao extremo.
Como psicóloga, tomo consciência por vezes das alterações que isto provoca nos meus engramas cerebrais, nos caminhos que vinham formatos desde há muitos anos e que começam agora a encontrar outros caminhos para chegar ao resultado. Novas formações neuronais, “Breakthroughs”.
Muitas vezes tem isso acontecido nos últimos meses que estou em Angola.
E mais uma vez, estou sem televisão. 
Desde que cheguei a Angola, em 2008, foram poucos os meses em que tive uma Televisão. Não sei o que seria de mim se não existissem filmes e música em formato electrónico. Mas agora, tudo depende de mim, sou eu que escolho. 
Não me submeto às escolhas dos produtores de TV. Claro que tenho saudade de algumas séries e filmes e tenho saudade de simplesmente não fazer escolhas e ver o que me colocam à frente. Porém, tem as suas vantagens. Já há muito que havia decidido deixar de ver noticias na TV. Por vários motivos, sendo um dos principais o facto de estar a contribuir para o aumento de audiências e, logo, estar a passar a mensagem de que assisto àquele canal porque quero. Quando o pessoal das sondagens faz estudos, parte sempre desse principio: as pessoas viram, aumentaram as audiências, logo, devem tê-lo feito porque realmente escolheram ver aquilo! Não é verdade. Assistimos a coisas só porque sim, porque a TV faz companhia, o uporque aquele canal é mais sensacionalista ou porque passa as noticias da forma mais DRAMÀTICA possível. 
Se deixarmos de o sintonizar, pode ser que eles passem a emitir as notícias positivas. E isso é algo que Angola ainda tem e espero que não perca. Quando ocasionalmente vemos um noticiário ou lemos um jornal existem muitas notícias positivas: projectos de sucesso, iniciativas com impacto positivo, pessoas que conseguiram grandes feitos, ou pessoas que conseguiram pequenos feitos…
A Europa afunda-se a olhos vistos, não tem crescimento económico, tem taxas elevadas de depressão e suicídio, e parece estar muito infeliz, porque dos milhares de eventos que ocorrem todos os dias, a comunicação social escolhe conscientemente noticiar apenas os que são drásticos, dramáticos e negativos. Porque descobriu que isso vende bem…
Um outro exemplo curioso. Em Portugal, quase todas as pessoas têm microondas. Eu também tinha e usava apenas para aquecer um leite ou descongelar algo rapidamente. De repente, quando me encontrei sem fogão, sem banca, sem cozinha em geral…o meu microondas passou a ser um soldado universal, pronto a receber qualquer tarefa! Faço Pizzas, bolas de carne, bolças vegetarianas, gratinados vegetarianos, bacalhau gratinado, bolos de coco para sobremesa, bolos de iogurte, enfim…agora tudo parece possível. 
Agora tudo é possível. A mente está preparada para se adaptar. A mente já não diz que não é possível. Já não diz que não tem tempo, já não diz que não há condições, já não pensa que não há recursos. A mente simplesmente acredita que é possível e, logo, tudo será possível.

Monday, May 23, 2011

Dias de Huambo

No domingo, segunda e terça-feira passados, fomos até ao Huambo. O Friozinho do interior já lembrava a minha terra, só faltava a corrente de ar do mar…

As fotos retratam pequenas visitas que fizemos. Senti-me a agir exactamente como um turista comum, com máquina fotográfica ao ombro e fotografar tudo o que me apetecia (o que me fez pensar que estou a precisar de férias, mas férias a sério, pois isto foi apenas um respierar fundo de 2 dias, uma escapadinha…).

No Huambo caminha-se muito bem, pela estrada, pelo parque da cidade, enfim, por todo o lado. Em particular no parque da cidade, foi muito bom ver tantas pessoas a ler e a estudar!

Jantamos muito bem, uma noite na Cervejaria Novo Império e outra noite no Jango Central. Ficamos pela segunda vez no Hotel Nova Estrela, que recomendo pela boa relação preço-qualidade.

Numa outra noite, decidimos tratarmo-nos melhor, e ficamos no que parecia ser um dos melhores hotéis da cidade e um dos mais recentes: O Hotel Tchimina. Como ex-hoteleira, não gostei. Foi preciso pedir o comando da TV, a porta do WC estava arrombada e não fechava, os quartos são requintados mas pequeníssimos, e o pequeno-almoço, já estava bastante desfalcado. Ao menos no hotel Nova Estrela tiveram a atenção de fazer ovos mexidos por pedido e tirar um cafezinho expresso no fim do pequeno-almoço!
Dois dias pareceram quatro! Passear a pé e lanchar no Fountai Park (Como diz) o nosso GPS, soube pela vida! O tempo rendeu e senti o descanso.

À ida para o Huambo seguimos a estrada “Lobito - Alto Hama –Huambo” e, no retorno, viemos pelo outro caminho “Huambo-Caála-Ganda-Cubal-Benguela”. Recomendo o segundo devido à melhor estrada, mas a paisagem em ambos os caminhos é estupenda.

Quanto a reflexões mais profundas, tenho a dizer que nas últimas semanas tenho pensado muito na Gestão do Tempo. É um tema que trabalho bastante como psicóloga em diversas perspectivas, quer de formação intencionalizada quer do ponto de vista da intervenção em consulta psicológica.

Ultimamente, tenho prestado mais atenção a momentos que as pessoas utilizam a expressão “não tenho tempo”. É uma expressão que só me dou ao luxo de dizer a mim própria e pouco mais. Há muito que me esforço por eliminar essa expressão da minha narrativa de vida. Perturba-me bastante formular as coisas nesses termos, e penso que quanto mais vezes o dizemos, mais vezes o pensamos e, logo, o que pensamos e dizemos, realmente se torna realidade!

Cada vez mais concluo que tenho uma excelente gestão do tempo pessoal e profissional, e penso isto se explica pelo facto de eu achar que tenho sempre tempo para tudo e mais qualquer coisa! Porque a vida é curta e se o universo nos coloca oportunidades no caminho, como podemos recusá-las?
No entanto, tenho de aprender muita coisa ainda e sei que, organizacionalmente falando, tenho de aprender a dizer mais vezes que não tenho tempo…se não o disser, como vão as pessoas saber que eu sou uma pessoa muito ocupada?...







Thursday, May 05, 2011

A Morte

A Morte

Raios. É difícil começar a escrever um texto sobre a morte dos seres humanos. Há alguns meses, estava numa alegre conversa com um grupos de pessoas, que tinha acabado de conhecer havia pouco tempo. Eles tão pouco sabiam nada de mim (e talvez continuem sem saber). Depois de várias horas de conversa, a certa altura, já nem me lembro porquê, falei da morte.

Com a naturalidade com que se fala de couves, cortes de cabelo ou do último filme do Tarantino.

Quando não é, que uma das pessoas reage quase violentamente, dizendo “Como podes falar assim da morte? És tão mórbida”. Não sei quando foi que, os seres humanos, começaram a ter tanto medo da morte. Medo de envelhecer. Medo das rugas e da celulite. Medo das peles flácidas. Não sei. Mas isso assusta-me. Assusta-me que as pessoas se assustem tanto com a morte que nem sequer consigam dizer a palavra.

Mas nem sempre foi (ou é em todas as culturas!) assim. Há algum tempo atrás, as pessoas celebravam esse momento. O fim da vida. Em muitas culturas, faziam-se festas e acompanhava-se aquela pessoa nos seus últimos momentos. Não se fugia das pessoas moribundas. Não se lhe negavam os últimos momentos com os vivos. Os vivos não só têm medo da morte como têm medo de estar perto de pessoas que estão a morrer.

Alguém que fuja da morte, foge da vida. Alguém que tenha um receio forte da morte, vive a vida com muitos receios. Talvez seja palavreado de psicóloga misturado com a filosofia yóguica, mas é o que penso. E não é por não ter estado perto da morte, porque já estive. Aliás, há 100 anos ou menos, talvez estivesse mesmo morta. Se não fossem algumas técnicas da medicina actual, talvez estivesse mesmo morta.

Se no avião no qual regressei de Frankfurt (depois de estar num intercâmbio na Áustria), a “Cracking Window” (como dizia o comandante) tivesse “crakado” mesmo, eu não estava aqui (tivemos de voar bem baixo e retornar ao aeroporto de Frankfurt, debaixo de berros e pânico de todos os passageiros e vários membros da tripulação!).

E desejei morrer algumas vezes na vida. Eu compreendo se o leitor não me compreender. Desejei, do fundo de mim, que acabassem todas as preocupações e as dores de tantos tipos e desejei encontrar paz, e essa paz, parecia vir da parte. Nunca pensei suicidar-me. Mas pensei terminar. Simplesmente terminar. Não ser eu a desligar a Televisão, mas simplesmente a desejar que ela se desligasse. E, no entanto, quem me conhece minimamente, sabe que eu sou uma pessoa com grande paixão pela vida. Talvez, por isso, tenha grande paixão pela morte.

A Chica e o Snorkelling

Nas últimas semanas tenho dois factos a registar. A Chica e o snorkelling.
Como podem ver pelas fotos, comecei a praticar snorkelling. Estou a adorar mergulhar. Com dizia o Hermínio um dia, parecia uma bond girl. No início foi difícil aprender a gerir a respiração, mas depois atingi uma paz subaquática inigualável. E posso dizer que ainda não vi nada da vida aquática, a não ser umas rochas e uns peixinhos a passar por mim. Sinceramente, ainda estou na fase em que, ver as minhas próprias mãos ou barbatanas, ou ver outra pessoa a passar por mim, me deixa num redemoinho de emoções!

Já fiz alguns quilómetros e mesmo assim o meu coração ainda dispara quando no meio do nada aparece um cardume de peixinhos pequeninos ou de repente, simplesmente aparece um enorme conjunto de rochas que mais parece uma cidade submersa…
E finalmente posso imitar o Darth Vader. Não há nada mais relaxante do que ouvir a nossa respiração debaixo de água…

Entretanto, fui a um restaurante, quase secreto, no meio do nada, a 20 km de Benguela. Lá encontrei algo já muito habitual. Macaquinhos presos para desporto dos humanos. Revolta-me profundamente este circo. Os bichos ficam ali, expostos, simplesmente sozinhos, marcados pelas coleiras ou cintos amarrados a correntes de metal…simplesmente, para nada! Fico doida. Alguém me compreende? Alguém vê a necessidade disto? Já me custa matar para comer, algo que evito sempre que posso, tentando manter um vegetarianismo dentro do possível (é mais fácil em Portugal do que em Angola), mas ter animais pelo espectáculo? Não há palavras…
Em especial os primatas. Os cães e gatos têm olhares muito humanos, mas os olhinhos de um macaquinho, são iguaizinhos aos humanos!

Então decidi ir brincar com a Chica, a macaquinha da foto. Saltamos, brincarmos e, a certa altura, decidiu “catar-me”. Esse acto de carinho para com o próximo. Chica desatou a tentar catar o “borboto” dos meus calções! Vêm na foto? Que atenção, que carinho e que capacidade de motricidade fina fascinante. Fiz um vídeo.

Como psicóloga, só pensava na evolução destes seres fantásticos e na forma tão humana que a Chica olhava para a máquina fotográfica! E o jeito que os bracinhos dela me agarravam…Foi uma experiencia óptima para mim! Infelizmente a Chica lá ficou, amarrada, escondida debaixo de um pedaço de metal, enquanto ouvia estranhos barulhos de carros…



Wednesday, March 16, 2011

O saber dar

Há alguns dias estava a preparar alguns conteúdos científicos para as minhas aulas. Um dos conteúdos era uma teoria, da qual não consegui descobrir quem é o autor original.

É uma teoria dos saberes, que está ligada com o estudo da competência.

Refere-se a três saberes essenciais: o saber-saber (conhecimento), o saber-estar ou saber-ser (as competências interpessoais ,sociais, etc.) e o saber-fazer (saber técnico).

Depois disto, e face a outras situações da minha vida, pus-me a pensar no saber-dar.

Nestes anos de experiência da minha modesta vidinha, sempre acreditei que as pessoas têm a capacidade de aprender todos os saberes. Todos os saberes que quiserem, se realmente quiserem. Às vezes, nós temos de saber esperar que os outros desenvolvam essas competências. E eu esperei. E espero ainda.

Mas há pessoas que não sabem dar. Eu também aprendi a dar com outras pessoas. Aprendi a sentir o prazer enorme de dar algo a alguém. Algo físico, como uma prenda, algo imaterial como um elogio ou um contacto ou um favor.

Devia ter uns dezoito ou dezanove anos quando alguém me deu algo e eu disse que não podia aceitar. E alguém me disse que eu não podia dizer isso, porque o prazer de dar era destruído por comentários desses.

Nos últimos anos, felizmente, pude dar muito. A vida trouxe-me alguma estabilidade financeira e fiz surpresas a várias pessoas. Comecei a ter grande prazer nisso.

Algumas surpresas que fiz, por exemplo, à minha mãe, trouxeram-me emoções que nunca havia sentido. Um calor no coração, uma lágrima escondida, um prazer de a ver feliz, um contentamento inexplicável por ver a expressão dos “apanhados” estampada na cara dela!

O saber dar envolve o saber-ajudar, o saber-estar lá para os outros, o saber-dar atenção ao outro.

Não vos vou dizer que dou sempre desinteressadamente, aliás, nunca dou desinteressadamente. Espero que, um dia, alguém tenha amabilidade de me devolver a sensação de felicidade de receber e, que, ao mesmo tempo, eu possa dar a essa pessoa a sensação enorme do prazer de dar.

Quando falamos de coisas materiais, há também as regras de etiqueta em sociedade. Nem sempre me revejo nelas. Mas, acho eu, diz a etiqueta que se alguém nos oferece algo, devemos oferecer algo de volta, se não logo, então numa próxima oportunidade. Mas já fiquei muitas vezes sem receber nada.

Perdoem-me se isto soa mal, pode parecer interesseiro ou materialista, mas não é. Já dei prendas de 1 euro e recebi emails que valiam 1000 euros, só pelas palavras que me tocaram.

Talvez cada um aprenda a dar na hora certa. Ou talvez seja uma das tarefas desta vida resolver este assunto. Como sabem, o Karma diz que toda a acção tem uma reacção e se a intenção da acção é positiva, a reacção será positiva. E este é mais um motivo para dar.

E com isto não digo que quem não sabe dar é egoísta ou que o faz por maldade. Não chegaria a tanto. Como diz o budismo, é a ignorância que está na raiz de todos os males.

Acreditem, se aprenderem a dar, nunca mais vão querer parar. O vosso coração encher-se-á de alegria e de positividade sem limites…

Mais um dia da Mulher...


Mais um dia da Mulher. Mais um dia em que faço um esforço por nem sequer sair da casa, para não me enfurecer. Não pensem que isto é só um texto literário e que digo estas coisas para ênfase…não. Não vou mesmo sair de casa.
O pior de tudo é que acordei com uma mensagem daquelas lamechas sobre ser mulher. Provinda de uma mulher!!! E estas mensagens eternizam ainda mais os estereótipos de género.
Claro que poucas pessoas me compreendem. Apenas os verdadeiros cientistas. A ciência (nomeadamente a psicologia social) que as medidas de discriminação positiva têm de ser limitadas no tempo.
A criação de um dia especial para festejar algo, a criação de quotas para uma determinada minoria de uma país, ou até uma atenção especial para com determinado problema numa escola ou numa empresa, podem ser medidas de sucesso, mas tem de ter um fim anunciado. Até porque isso contribuiu ainda mais para o seu objectivo.
O Dia da Mulher, 08 de Março, pode ter sido uma ideia engraçada. Pessoalmente, preocupa-me todos os tipos de discriminação, mas a que eu vivo é menos preocupante do que a discriminação que leva ao tráfico, à violência, ao lenocínio e a muitas outras situações horrendas. Há um mês vi uma ONG internacional a dizer que cerca de 1 milhão de mulheres em todo o mundo estão traficadas para fins sexuais…
A discriminação de que eu sou alvo no dia-a-dia é soft, é discreta, é mascarada, muitas vezes é inocente, subtil…mas está lá! E chateia-me na mesma. E custa muito demonstrar às pessoas que está lá!
Como é possível fazer tanto alarido porque um ser tem um pénis e outro uma vagina? Como? Porquê? Eu gostava de retornar do tempo, àquele primeiro momento, há milhões de anos, quando o homem primitivo e a mulher primitiva perceberam que eram diferentes. E a seguir, gostava de saber o que os fez crer que o homem de alguma forma era superior à mulher?
A sério, dispam-se de todas as ideias que têm e imaginem esse momento.
Voltando ao Dia da Mulher, hoje. Já esta a hora de acabar, mas agora ninguém tem coragem de o fazer. Como existe o dia do Pai e o dia da mãe, podia perfeitamente existir o dia dos Direitos Humanos, por exemplo. Ou então O dia dos direitos da Mulher e o dia dos Direitos do Homem, que mais tarde se fundiria num dia só…
Mas os inocentes dirigentes que criaram o dia Internacional da Mulher não imaginavam que ele viria criar ainda mais discriminação. Este é o dia da discriminação do homem. É o dia em que se retorce tudo e se faz, de uma forma especial, tudo AQUILO que deveria ser BANAL ao longo dos restantes 364 dias do ano. E ouvem-se aberrações…“Hoje, és mais linda porque é dia da Mulher”, “Hoje, amor, vou-te ajudar porque é dia da mulher”…etc…

Tuesday, February 08, 2011

VIVER a vidinha...


Há alguns anos fiz uma promessa a mim própria. Todos os anos iria visitar um país diferente, ou pelo menos uma área geográfica diferente.
Depois fiz outra promessa a mim própria. Experimentar, sempre que possível. Não negar à partida. É difícil promessas destas...
Ainda bem que o universo de vez em quando nos lembra desses importantes momentos em que temos conversas sérias connosco próprios. Desta vez, por mero acaso, encontrei as minhas fotos da Experiência de PARAPENTE, no ano de 2004 (Acho eu!). Foi perto de Braga, acho que em Caldelas (Portugal).
Adorei a experiência e gostava muito de repetir. Agora espera-me o Paraquedismo.
Entretanto, para a semana é a vez do "Snorkelling" ...mas dificilmente haverá fotos, porque é debaixo de água... (Para saber mais sobre isso, Clique aqui)
Podemos VIVER (com letra grande) esta "vidinha" (como diz o povo).
Riam-se com as fotos. E, se servir de algo, espero que inspire.








Tuesday, January 25, 2011

As Algemas da Mente

Quando eu era pequena queria ser grande. Nunca fui daquelas pessoas que queriam desesperadamente chegar aos 18 anos, não, não é isso. É outra coisa. Queria ser livre. Queria que os adultos deixassem de tomar decisões por mim, deixassem de mandar em mim. E, aos meus olhos, ninguém mandava neles! Ser adulto ou ser grande era ser livre. Não ter de responder a ninguém, não ser influenciado, não ser ordenado.

Depois cresci. Não adiantou muito chegar aos 18 anos porque continuava a não ser livre. Não tinha o dinheiro que precisava ou a autonomia para o que queria fazer. Ser adulto não adiantou nada, mas , pensava eu, estava a chegar o dia.

Depois cresci ainda mais, aos 24 anos de idade comprei a minha casa e fui viver com uma pessoa. Aos 28 fui viver sozinha. Agora sim, era adulta. Realmente tomava as minhas decisões. E tornei-me perita a tomar decisões. Não sabia o que era “não saber decidir” ou não conseguir tomar um decisão. Ainda hoje não compreendo bem a indecisão nas pessoas …

Adiante. Tornei-me então adulta. Agora parecia que podia ser livre. Mas afinal, comecei a observar que os adultos não são nada livres, poucos tomam decisões que realmente querem. A maioria toma decisões em prol ou por causa dos outros ou coagido de alguma foram, seja por pressão dos pares, do cônjuge, da família ou pressão social no geral. Afinal os adultos não são livres. Ao crescerem, também cresceram os seus estereótipos, os seus preconceitos, ideias feitas que fazem com que eles não tomem as decisões que querem. 

E passam a vida inteira a correr…

Depois chega a altura de ter filhos, e os adultos querem que esses filhos sejam grandes rapidamente, exigem das crianças comportamentos de adultos e cada vez menos deixam as crianças brincar. Mas impõem as regras dos adultos, mandam nas crianças, e continuam a achar que eles é que são livres.

Afinal, no fundo, só a criança é livre. Porque apesar de ter normas externas rígidas impostas pelos adultas, a mente de uma criança e o seu estar natural é a liberdade. Os adultos libertam-se de algumas normas externas mas acorrentam-se a eles próprios em normas internas.

Por isso, tento a todo o custo me libertar dessas normas, a cada dia. E o Yoga ensinou-me a aceitar a vida como ela é, a evitar tomar tantas decisões, a evitar forçar o futuro, a tentar libertar-me das correntes da minha mente, mas principalmente das correntes sociais invisíveis que o adulto coloca a si próprio. Agora sei que me posso libertar das algemas da mente. E ser livre não tem qualquer relação com a idade ou estatuto, tem que ver com a mente. Para já, sou livre. Vou avançar na idade e chegar à velhice. Apesar de não querer chegar lá rapidamente, quero chegar lá livre. Mesmo que depois seja alvo de novo, das normas externas que me vão impor. Ser velho não permite muito liberdade. Mas se eu possuir a liberdade da mente, ninguém mais me acorrentará.

Gravidez…

Durante uma parte da nossa vida, os nossos pais andam sempre a trás de nós a tentar a todo o custo que não engravidemos (adolescência). Toda a preocupação da vida dos pais parece girar à volta disso, da sexualidade e da gravidez, quer para com rapazes quer para com raparigas.

A seguir, vem a parte da nossa vida que toda a gente à nossa volta acha que está na hora de engravidar? Como esperam que troquemos de ideia tão rapidamente? Dos 17/18 anos para os 25 temos de mudar o que internalizamos tão veementemente? Esta sociedade parece não compreender as pessoas que não querem ter filhos. Independentemente do motivo da pessoa, porque não compreendem? Porque não a deixaram simplesmente ter um “acidente de percurso” aos 18 anos? Agora pressionam que tem de ser rápido .

Depois, finalmente se toma a decisão de engravidar ou simplesmente acontece. Ou andamos anos a tentar engravidar. Andamos metade da nossa vida atrás dos filhos, a criá-los, a preocuparmos com eles. Esquecemo-nos de nós próprios.  

Mais tarde, ficamos 20 anos ou mais a evitar ter filhos de novo. Já chega. Já não queremos mais.

Chega o momento em que ficamos “sem filhos” de novo. O “ninho fica vazio”, e ficamos sozinhos. Como já há muitos anos nos esquecemos de nós próprios, não conseguimos lidar com isso porque já não sabemos quem somos.
Chega a velhice e voltamos a precisar dos filhos, para cuidar de nós, para nos ajudar a acabar a tarefa de viver. Voltamos a querer ter filhos. Desta vez, grandes, que cuidem de nós.
O maravilhoso ciclo da gravidez.

Thursday, January 13, 2011

Fão...um pequeno paraíso a morrer (ou quem sabe...a renascer)

Perfaz em 2011 cerca de 9 anos que escolhi a vila de Fão para viver (concelho de Esposende e distrito de Braga, para que não se recorda!)

Hoje passei numa rua na qual nunca havia passado, em tantas caminhadas pela Vila, e fiquei estupefacta, claro. Pensei que já conhecia tudo como a palma da minha mão…
Fão é uma terra linda. Entre o mar e o rio, por entre pequenas ruas onde mal cabemos se abrirmos bem os braços, encontramos uma paz e um ar tão puro que nos sentimos unos.
As minhas caminhadas usualmente ficam por Fão, porém de vez em quando vou até Ofir. Ofir é um lugar de Fão muito conhecido por ter a grande (no sentido de ser mesmo grande!) discoteca Pacha, e ter também o Bib Ofir (Bar Fiesta Cubana) e o actual Hotel Axis Ofir. É uma zona protegida, com passadiço que acompanha o rio. Vemos dezenas de famílias, casais e solitários a passear, a correr, a caminhar ou apenas a tomar um café em frente ao mar.
Principalmente ao fim de semana, a praia de Ofir enche-se gente. Há dias fui la na esperança de observar o mar, sozinha, a tomar um café. Acabei por observar casais de namorados, pessoas de fato de treino a jogar a bola na praia, famílias a correr pela areia…
Fão tem tudo o que é preciso. Por vezes, paro o carro e fico dias sem pegar nele. Vou as compras, vou ao instituto de estética, eventualmente ao cabeleireiro, quando preciso vou ao hospital, ao multibanco, à loja “dos chineses”, à papelaria comprar uma revista, tomar café ao café enquanto vou à internet graças ao wireless grátis, etc.
As pessoas de Fão são “fangueiras” ou faozenses. Têm uma melodia muito carcaracteristica no falar, e não sei se elas próprias se apercebem disso. São agradáveis e simpáticas. Encontro as pessoas que não conheço na rua e muitas ainda cumprimentam com “Bom dia”. Pessoas juntam-se em recantos da vila a conversar sobre a vida e suas dificuldades…
Junto ao rio, temos um circuito de manutenção física ao lado de um parque infantil. As crianças divertem-se e os pais aproveitam para fazer uma exerciciozito…
Quando vou caminhar junto ao rio, fico a olhar para os patos. Os de colarinho verde, os brancos, os laranjas. As gaivotas estão por lá como se elas é que estivessem a observar esses humanos estranhos. Hoje, um fotografo estava concentrado a fotografar toda azona do rio que é protegida.

Ocasionalmente, não vou caminhar na praia, mas sim no Pinhal de Ofir. Recolho as bolotas do pinheiro para trazer para casa e esmagar no almofariz e ficar com o cheiro de eucalipto dias a fio em casa. No pinhal de Ofir há vários condomínios onde eu gostava de morar. Sem abater arvores contruiram moradias fantásticas.
Existem mais planos de recuperação da zona marítima ou do rio, vejo placas sobre programas diversos. E desde que aqui moro, algumas coisas têm melhorado.
Vivo numa rua que há pouco mais de 5 anos era toda habitada. Agora só vejo casas a gritar por recuperação e placas de imobiliárias…
A minha mãe costuma chamar à minha casa, uma casinha de bonecas. Habituei-me à ideia. Tenho 3 pisos pequenos e um sótão delicioso com terraço, onde no verão apanho sol e faço Yoga.
No verão, Fão enche-se de pessoas que vêm passar férias. Mas durante todo o ano, o fim de semana está cheio de vida, cheio de carros que vêm de todo o lado buscar as deleitáveis clarinhas de fão! Esses doces de Chila viciantes. Ou então as outras imitações, os folhadinhos, almofadinhas, enfim, qualquer coisa de deleitável…
A anual Feira do marisco e da cerveja é um sucesso e recebe milhares de pessoas!
No inverno, é frio claro, mas os corredores do centro histórico protejem-nos de ventos indesejados. Às vezes saio a noite, as 23h ou mais, e dou uma caminhada rápida. Respiro fundo e vejo as estrelas.
Pois, mas Fão tem um pequeno problema. Parece estar a morrer. Parece que ninguém quer recuperar as casas. Casas simpáticas, com janelas românticas, escadarias interiores, azulejos lindos…
As ruas estão vazias e muitas das casas habitadas são já casas de ferias, apenas ocupadas 2 ou3 meses por ano…
Alguém quer viver para Fão? Fica mesmo ao lado de Viana, Povoa de Varzim, Via do Conde, Esposende, Barcelos, a 30 minutos de Braga e do Porto?
Bem…também se vier muita gente, Fão pode perder a sua magia.
Enfim, sinto-me bem em Fão. Como se tivesse tudo à mão, o melhor das tecnologias, excelentes lojas, etc. e ainda mais o bónus de uma paz que me deixa sossegada, um ar puro, e um certo estar “à moda antiga”, que nos leva às raízes da vida em comunidade…


Espero que seja essa a nova noção de cidade. É nessa que eu quero viver. Onde as pessoas se conhecem e se cumprimentam, mas têm internet, grátis, circuitos para actividade física, paisagens lindíssimos, zonas protegidas, enfim...venham ver por vocês próprios. Aqui, só faltam pessoas que valorizem isso e que decidam vir para cá viver...

Nota: Para ver fotos óptimas de Fão, visitem o Blog do Fotografo Alberto Ferreira
Vejam alguns exemplos abaixo...


Parabéns pelo excelente trabalho!