Monday, March 06, 2006

O Amor e os Dramas de "Mão-na-testa"


O Cineclube brindou-me com uma surpresa de cair para o lado! Senso de Luchino Visconti do ano de 1954. Apanhada num filme sobre o qual não tinha quaisquer informações (é essa, aliás uma das paixões de cineclubista amadora!!!), sair a morrer de rir mas, depois que a risada passou, pus-me realmente a pensar (que é uma das funções do cinema!)...quando é que o amor deixou de ser um Drama de "Mão-na-testa"? Quando é que perdemos aquela intensidade do olhar fugidio, do respirar por cima do ombro, do estremecer da protagonista com um tremelicar de lábios? Quando? As nossas modernices são boas para muita coisa (já nada é tabu, a desinibição reina e já ninguém faz amor com uma daquelas camisolas de noite cheias as renda...acho eu!) mas por outro lado, será que perdemos o desvario dos amores de "desmaios emocionais repentinos"? Será que ainda ALGUÉM desmaia por amor? Isso é fisiologicamente possível? Quando é que deixamos de beijar com a cabeça totalmente de lado? (Ou isso era só para a câmara?)

A Banda sonora do filme é de dar saltos na cadeira...e risos também. O que nos parece uma situação mediana qualquer de hoje, é tratado e enaltecido por grandes orquestras repentinas, que até assustam!
Os clássicos têm um fascínio inexplicável. Apeteceu-me pegar na máquina de filmar e vestir um vestido daqueles com armação por baixo, e filmar-me a beijar alguém...só para testar a teoria! Será que me veria de outra forma se me visse como se estivesse em 1954? Será que me sentia mais mulher? Menos pragmática? Mais romântica? Será que desmaiava ou levava a planta da mão à testa?

2 comments:

Nádia said...

Desmaiar de amor? Perfeitamente possivel, garanto-te! Beijar com a cabeça de lado? Também!
Acho que os arrebatamentos do amor, apesar do cinema actual se debruçar mais pelo sofrimento, desespero e luxuria, são sempre os mesmos em qualquer época. Acho que sem arrebatamento não é realmente amor, incondicional e que não depende da escolha, é nesse mesmo arrebatamento que reside o seu poder de criação e de destruição.
E aquilo que vestes pode mudar a maneira como te sentes momentaneamente, mas nunca a tua capacidade de amar, que deve estar meia escondida com tanto cepticismo na sociedade em relação ao amor. Acho que é como Deus, segundo São Tomás de Aquino, tens de acreditar para ver que existe.

Anonymous said...

É curioso! não só de romance se põe a mão na testa... também com dores de cabeça, para limpar o suor... será que o romance de "mão na testa" é o romance tórrido de sexo, ou antes o romance aborrecido e evitante dos amantes com cefaleias??

eh pá, não sei...