Sunday, February 05, 2006

Pseudo-estranha

Estou num dia “Odeio”. O que já é normal. Odeio, calmamente, tudo à minha volta e a única coisa que eventualmente me poderia agradar era que me deixassem odiar, sem questões abundantes de falsa condescendência do género “está tudo bem?”, blá, blá, blá."
Estou com (algumas) pessoas de quem não gosto usualmente e com (algumas) que não gosto hoje. Num sítio que não gosto, a fazer algo que não gosto, mas por imperativo sociais preciso de aqui estar. “One of those nights”.
Para conseguir escrever tive de revirar a carteira até encontrar as costas de uma folha velha e cá escrevo, “à la pate”. Não é um daqueles dias que escrevo porque não tenho mais nada que fazer, mas sim um daqueles em que escrevo porque tenho mesmo de escrever!
Não sei bem para quê.
Estou a transformar-me numa pessoa que tem mania que é estranha. Dou uma passa no cigarro e olho, de baixo para cima, por entre a franja do cabelo, enquanto largo o fumo para o mundo.
Bebo coisas estranhas tipo pisang simples, vou sozinha ver filmes de culto e fico com aquele ar desejável de intelectualóide que percebe da coisa. Faço questão de ser eu a pôr gasolina no meu carro e mais ninguém, e os senhores da bomba ficam com os olhos em bico ao ver uma gaja entrar para pagar sózinha às 4 da matina. Vou a bares sozinha ver como os outros lá vão em grupo.
Passo horas a olhar para obras do Rene Magritte.
Sou viciada em comprar em lojas asiáticas e transformar as coisas.
E nunca quis morrer tanto, ou nunca quis tanto morrer. Só quem aprecia a vida a 100, pode desejar a morte tanto, não? Não há dia que não pense nela e quem não a ame profundamente, como à vida. Penso e não a temo, espero-a.
Como se fosse o derradeiro desafio da vida - viver a morte. Como se só a morte lhe desse sentido. É, acho que estou a ficar pseudo-estranha.

3 comments:

Edward said...

Escreves porque podes chegar ao fim, respirar fundo e enfrentar com menos dor/custo o dia.

Anonymous said...

Pois é... qualquer dia a frase romântica é:"quero morrer contigo" e o juramento: "até que a vida nos separe"... se calhar só se vive morto. bjo.

Nádia said...

Vim bater aqui ao teu blog e sinceramente identifiquei-me muito com o que dizes e o que dizes que fazes.
Ainda não sei se isso é bom ou mau, mas só para saber vou te por nos favoritos.