Friday, February 03, 2006

De volta à Paixão

De volta à paixão, como já há muitos anos não estava. Já não sabia como era, e mesmo assim lembrava-me das parecenças com o ódio. Claro que se gosta de estar apaixonado, de ser corroído como um ácido que destrói a vidita normal da gente normal que tentamos não ser todos os dias. Queremos ser diferentes e, o mais estúpido é que achamos que conseguimos. Temos a mania que conseguimos. Saímo-nos com aquelas frases estúpidas que só fica bem dizer "eu não vejo televisão, prefiro ler um bom livro", "vou hoje a um concerto de jazz", bla, bla bla. A paixão transforma-nos em seres burros, que se descartam e fogem, que se refugiam em desculpas paranóicas, que criam máscaras para agradar ao novo apaixonado. Quando apaixonados, não sabemos nunca bem quem somos na realidade, pois estamos constantemente a tentar provocar algo, a tentar agradar compulsivamente. Só num estado não patológico e cheio de taquicardias conseguimos ser autênticos. Não posso dizer que odeio a paixão, mas posso dizer que odeio o seu impacto, a sensação de burrice que me dá.

3 comments:

Nádia said...

Parece que a paixão faz nos voltar aos primordios da humanidade, quando não sabiamos ou conseguiamos pensar. Até queremos e tentamos mas parece que o sistema "racional" deixou de funcionar na presença de uma determinada pessoa.
É por isso parece uma situação tão irreal, quando recordamos acontecimentos ligados a ela parece tudo tão enevoado, como se nos vissemos de fora.

Anonymous said...

"O amor fica-me curto...
Só a paixão me veste por inteiro."

Anonymous said...

Essas palavras são de uma dureza impenetrável, de uma frieza difícil de reverter e de uma crueza impossível de tragar. Irra, Ser revoltado.