Juro, adoro a chegada do Inverno...bem, na realidade é outono...mas está a entrar pelo ambiente invernal adentro.
Mas acima de tudo adoro este país: Portugal. Quero conhecer o mundo todo e até viver um bocadinho em cada pedacinho de terra deste planeta, mas ...ai, Portugal, Portugal. De manhã ouvi chuva, levantei-me e o sol levantou-se comigo, uma brisa de vento forte à beira mar, mas um sol a queimar um pouco no meu terraço. À hora do lanche o som da chuva no silêncio de fim de tarde.
Vesti agora mesmo a minha primeira gola alta da estação.
Sei que pode parecer estúpido, mas é tão bom finalmente sentir o pescoço aconchegadinho! Quase tão bom como a primeira vez que nos despimos para vestir um bikini.
Cheguei para tomar um cafe de fim da tarde, antes de ir para o curso de Espanhol! O café estava deserto...nem 1 carro no estacionamento, nem viva alma. A música acalmou (as batidas de verão deram lugar a um chill-out agradável...será propositado ou acidental? ). O cafézinho quente aquece-me as goelas.
Ainda para mais, consegui fazer uma surpresa a alguém hoje. Surpreender mesmo. Como costumo dizer, tirar o tapete na positiva. Por a pessoa de queixo no chão com algo que não esperava de todo. A vida é imprevísivel e eu faço questão de o ser também.
De alguma forma, cada vez mais me apaixono pelo imprevisibilidade da vida...o que será do amanhã? Sol ou chuva? Bom ou mau? Estarei bem disposta ou mal? Acontecer-me-ão coisas maravilhosas ou profundamente tristes?
Nesta riqueza profunda da vida, há dias que conseguimos ver com clareza que é a imprevisibilidade (que tanto tememos, por vezes) que nos dá mais brilho como seres humanos...
Tuesday, October 07, 2014
Tuesday, September 30, 2014
Encontro-me, no cansaço
Às vezes só nos encontramos quando levamos o corpo ao limite.
No extremo do cansaço, depois de uma aula de yoga, transcrever entrevistas de doutoramento e mais uma sessão de emassar e pintar paredes, senti o corpo hoje a ceder aos seus 36 anos.
Não é que não o tivesse sentido antes, mas existem duas diferenças. Em primeiro, apeteceu-me muito escrever. Em segundo, lembrei-me da noite de sono, marcado por sonhos de morte.
Agora recordo-me de acordar com um misto de mortes e uma sensação profunda de vazio impossível agora de recriar, de a re-sentir.
Nestes dias que a minha perceção do tempo é particular (parece-me estes dias que tudo corre mais depressa), e nas sensações de que as pessoas estão a desaparecer, não me sinto quase a chegar aos 40 anos.
Não é que faça grande diferença atualmente ter 36 ou 40 ou até 42, mas o meu corpo começa a apresentar limites, que a minha mente não tem. Se teve, eu ultrapassei-os. Alguns tinha de certeza! e eu lutei tudo para os ultrapassar. Limites mentais, de preconceito, de "quadrados" em que nos encaixamos ou nos quais os outros nos encaixam. Sou capaz de quase tudo. Não me limito. O problema parece continuar a ser descobrir o que realmente quero, o que realmente faz sentido, o que traz felicidade. E nestes momentos de esgotamento corporal, encontro um pouquinho dessa sensação de felicidade.
No extremo do cansaço, depois de uma aula de yoga, transcrever entrevistas de doutoramento e mais uma sessão de emassar e pintar paredes, senti o corpo hoje a ceder aos seus 36 anos.
Não é que não o tivesse sentido antes, mas existem duas diferenças. Em primeiro, apeteceu-me muito escrever. Em segundo, lembrei-me da noite de sono, marcado por sonhos de morte.
Agora recordo-me de acordar com um misto de mortes e uma sensação profunda de vazio impossível agora de recriar, de a re-sentir.
Nestes dias que a minha perceção do tempo é particular (parece-me estes dias que tudo corre mais depressa), e nas sensações de que as pessoas estão a desaparecer, não me sinto quase a chegar aos 40 anos.
Não é que faça grande diferença atualmente ter 36 ou 40 ou até 42, mas o meu corpo começa a apresentar limites, que a minha mente não tem. Se teve, eu ultrapassei-os. Alguns tinha de certeza! e eu lutei tudo para os ultrapassar. Limites mentais, de preconceito, de "quadrados" em que nos encaixamos ou nos quais os outros nos encaixam. Sou capaz de quase tudo. Não me limito. O problema parece continuar a ser descobrir o que realmente quero, o que realmente faz sentido, o que traz felicidade. E nestes momentos de esgotamento corporal, encontro um pouquinho dessa sensação de felicidade.
Wednesday, September 17, 2014
Il Verano...e o controle
Quando dei por mim, já não escrevia desde Julho.
Se ainda tivesse andado a curtir, em férias, ainda vá...
Mas não. Entre pintar a casa ("euzinha!" a emassar paredes, lixar, pintar, arrumar...ufa...), trabalhar para o Doutoramento e mais mil projetos, a escrita ficou de lado.
Mas confesso que o facebook tem a sua culpa. Temos sempre algo a ver, algo a ler, alguém a quem dizer olá, uns vídeos giros, uns factos que apetece ir confirmar se são ou não verdade...e , de repente, já estamos há 1 hora em "Fact checking"...
Pelo menos comigo é assim.
O Facebook é lindo. É. Mas também é horrível. Somos invadidos pelo que não queremos.
Aliás, esse é o tema da minha reflexão de hoje. Tudo parece fora do meu controle.
Quero trabalhar, mas sou invadida por informação que não me interessa!!!!, mas que depois até é interessante.
Quero falar com esta pessoa, mas outra "entra-me " pela vida adentro.
Não quero ter TV cabo, não QUERO 130 canais de tv que me "obrigam " a ver o que não quero, mas para ter um pacote de internet e telemóvel, sou obrigada a ter televisão.
Parece que estou a ser forçada a fidelizações, contratos, obrigações.
Por mais que eu queira, acho que estamos a perder controle das nossas vidas.
Já não vamos comprar AQUILO que queremos, compramos o que está em promoção. Quero internet, vêm 3 mil ofertas atrás.
Estou cansada. Quero escolher, OPTAR. Não quero ser escolhida, coagida.
Ter controle de alguma coisa nas nossas vidas é essencial, mesmo que seja parcialmente uma ilusão. A vida acontece, muita coisa já está fora do meu controle, mesmo que eu pense que não. Mas com quem estou, quem é meu amigo, que pacote de internet escolho, que mesa , que cadeira, que roupa...isso é meu. Só meu.
Se ainda tivesse andado a curtir, em férias, ainda vá...
Mas não. Entre pintar a casa ("euzinha!" a emassar paredes, lixar, pintar, arrumar...ufa...), trabalhar para o Doutoramento e mais mil projetos, a escrita ficou de lado.
Mas confesso que o facebook tem a sua culpa. Temos sempre algo a ver, algo a ler, alguém a quem dizer olá, uns vídeos giros, uns factos que apetece ir confirmar se são ou não verdade...e , de repente, já estamos há 1 hora em "Fact checking"...
Pelo menos comigo é assim.
O Facebook é lindo. É. Mas também é horrível. Somos invadidos pelo que não queremos.
Aliás, esse é o tema da minha reflexão de hoje. Tudo parece fora do meu controle.
Quero trabalhar, mas sou invadida por informação que não me interessa!!!!, mas que depois até é interessante.
Quero falar com esta pessoa, mas outra "entra-me " pela vida adentro.
Não quero ter TV cabo, não QUERO 130 canais de tv que me "obrigam " a ver o que não quero, mas para ter um pacote de internet e telemóvel, sou obrigada a ter televisão.
Parece que estou a ser forçada a fidelizações, contratos, obrigações.
Por mais que eu queira, acho que estamos a perder controle das nossas vidas.
Já não vamos comprar AQUILO que queremos, compramos o que está em promoção. Quero internet, vêm 3 mil ofertas atrás.
Estou cansada. Quero escolher, OPTAR. Não quero ser escolhida, coagida.
Ter controle de alguma coisa nas nossas vidas é essencial, mesmo que seja parcialmente uma ilusão. A vida acontece, muita coisa já está fora do meu controle, mesmo que eu pense que não. Mas com quem estou, quem é meu amigo, que pacote de internet escolho, que mesa , que cadeira, que roupa...isso é meu. Só meu.
Monday, July 14, 2014
"O sonho dos meus amigos é ter um GTI…"
O sonho dos meus
amigos é ter um GTI…
Sempre me
espantei com o bloqueio de escritor. Porque nunca o senti na pele. Sou
hipergrafica. O meu papel neste mundo é escrever, nunca tive grandes duvidas.
E é fácil
inspirar-me com qualquer coisa.
Esta semana foi
a velha pergunta “o que farias se ganhasses o euromilhões?”. Claro que não há
respostas certas, mas há a interpretação cognitivo-narrativa.
A forma como
moldamos a resposta, escolhemos cuidadosamente (apesar de ser nuns segundos) o
que vamos passar do pensamento para a linguagem e isso reflete quem somos.
Se amamos
alguém, respondemos que queremos “fugir” com essa pessoa, dar a volta a mundo,
ir de férias.
Se amamos muito
uma coisa, pedimos essa coisa.
A música
fantástica dos Clã “O sonho dos meus amigos é ter um GTI”…diz também “e os meus
amigos, riem-se de mim por ser feliz assim, sem sonhar com um gti, mas que me
importa um GTI se te posso ter a ti!!!”
É tal e qual a
lâmpada do Aladino.
Pedir um carro,
uma casa, um negócio, são desejos perfeitamente lógicos na sociedade atual.
Verdadeiros. Cumprem necessidades. Medianos, seria a primeira resposta de todo
o ser humano médio. É perfeitamente correto.
Mas o primeiro
impulso da resposta, remete ao que nos faz mais felizes.
Mas é fácil
concluir que o que nos faz mais felizes nunca teve nada que ver com dinheiro,
como todos sabemos. O facto de ganhar o Euromilhões ou muito dinheiro nunca vai
comprar uma pessoa para amar. Mas pode comprar o bocadinho extra de felicidade
em conjunto.
De que adianta
ter milhares ou milhões de euros, se não temos amor? De que adianta ter tudo,
se não se tem com quem partilhar?
Se saísse o
Euromilhões, comprava um carro, uma casa, uma viagem…para andar ou goza-los
sozinha? Sim, claro que o faria, mas nunca chegaria aos pés de gozá-los com
outra pessoa.
E vocês? Já
experimentar registar a resposta a esta pergunta ao longo da vida? Sim, vai
mudando. Há a fase do “ah, deixava de trabalhar”. Depois vem a fase do “ah, não
deixava de trabalhar, continuava tudo assim, mas já ficava mais a vontade…”.
Depois “ir viajar pelo mundo”. “Comprava o carro x, a casa y”. Ou “dava
dinheiro a família, aos amigos, faria toda a gente feliz!”. Já é um ótimo
patamar! . E por fim, até chegar ao patamar macro, em que não é uma coisa, não
é só para nós, é a partilha total com alguém e com todo o mundo. “faria
qualquer coisa, desde que estivesses comigo”.
É um pouco na
linha do desenvolvimento Moral de Kohlberg, essa ótima conceção do
desenvolvimento moral, que até hoje nenhuma outra abordagem bateu…(ler mais aqui)
É ter plena
consciência de que a morte chega, os bens materiais todos ficam. Deterioram-se.
Não valem nada. Só as experiências, as vivências, as memórias, as emoções
contam alguma coisa, quando tivermos 90 anos e já não nos conseguirmos quase
mexer do sofá lá do lar (de preferência, uma daquelas residências sénior, com
piscina, claro!).
Quando o
“Experiencing me” já não puder experimentar muito, resta apenas o “Remembering
me”. (Ler mais sobre este assunto ou ver Video aqui)
É HORA do
“experiencing me”. Já.
Tuesday, July 08, 2014
O fenómeno da PRESSA PATOLÓGICA
Recebi um convite para escrever um artigo para um
capítulo de um livro.
Não é o primeiro convite para escrever ao longo da
minha carreira, mas este cai bem. Cai cada vez melhor na minha alma de
escritora, que nem sempre tem o mercado do seu lado.
Trata-se de um artigo científico, porém, com alguma
margem ensaística.
Decidi a abordar o trabalho, minha linha de
investigação há vários anos, mas tão ampla, tão ampla que eu tinha de encontrar
uma outra abordagem.
Poder refletir sobre o papel do trabalho, do emprego,
do desemprego, da precariedade na vida humana, tem sido um privilegio, mas esta
oportunidade era de ouro: tinha de acrescentar algo mais.
Já há muito que queria explorar o "nada fazer", o dolce fare niente, o meditar (num sentido mais profundo oriental), mas o fazer nada e a sua importância neste mundo ocidental FAST.
Então, comecei a explorar as investigações de alguns autores acerda do ÓCIO e da evolução do conceito.
Obviamente, para efeitos deste blogue, nao irei por aí.
Porém, após uns dias de leituras, surgiu uma frase que me fez parar.
"Neste espaço, surge a pressa como um fenómeno típico
da atualidade e como mola mestra para os avanços
tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo (Aquino,
2007, p. 481)
A PRESSA.
E comecei a pensar em pessoas.
E tantas pessoas que andam cheias de PRESSA.
Que correm e correm de um lado para o outro, sempre com algo agendado a a seguir, sempre com o telemóvel na mão (e não é para passear pela net ou ver emails é mesmo para ligar!!!).
A PRESSA.
O fenómeno de achares que temos pressa. De que tempo é dinheiro.
Tempo não tem preço.
Temos o mesmo tempo de vida que tínhamos...ou melhor, temos mais. Os últimos dados apresentavam uma estimativa de esperança media de vida de 78 anos para as mulheres.
E essas pessoas correm, cheias de pressa.
E começa a sempre patológico...como sempre, sempre que começa a afetar a qualidade de vida do APRESSADO PATOLÓGICO e figuras da sua vida.
Sabem? Aquele pessoa que nunca pode? Nunca está? Ou só pode quando pode, nao respeitando os limites dos outros? E que tem sempre para onde ir a seguir?
Sim, já havia uma psicopatologia infantil (a hiperatividade) que começou a ser falada em ser aplicada a adultos.
Mas isto da PRESSA como fenómeno moderno é fascinante.
E desgasta toda a gente à volta do apressado.
Quando vamos conseguir PARAR. Respirar. Apreciar. Só temos aproximadamente 680.000 horas de vida????!!! (para uma vida aproximada de 78 anos!).
Só faz sentido ter PRESSA em VIVER, se pensarmos que temos tão pouco tempo.
Mas pressa em viver com qualidade. Pressa em viver, com calma.
Conhecem algum APRESSADO PATOLÓGICO?
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