Thursday, January 13, 2011

Fão...um pequeno paraíso a morrer (ou quem sabe...a renascer)

Perfaz em 2011 cerca de 9 anos que escolhi a vila de Fão para viver (concelho de Esposende e distrito de Braga, para que não se recorda!)

Hoje passei numa rua na qual nunca havia passado, em tantas caminhadas pela Vila, e fiquei estupefacta, claro. Pensei que já conhecia tudo como a palma da minha mão…
Fão é uma terra linda. Entre o mar e o rio, por entre pequenas ruas onde mal cabemos se abrirmos bem os braços, encontramos uma paz e um ar tão puro que nos sentimos unos.
As minhas caminhadas usualmente ficam por Fão, porém de vez em quando vou até Ofir. Ofir é um lugar de Fão muito conhecido por ter a grande (no sentido de ser mesmo grande!) discoteca Pacha, e ter também o Bib Ofir (Bar Fiesta Cubana) e o actual Hotel Axis Ofir. É uma zona protegida, com passadiço que acompanha o rio. Vemos dezenas de famílias, casais e solitários a passear, a correr, a caminhar ou apenas a tomar um café em frente ao mar.
Principalmente ao fim de semana, a praia de Ofir enche-se gente. Há dias fui la na esperança de observar o mar, sozinha, a tomar um café. Acabei por observar casais de namorados, pessoas de fato de treino a jogar a bola na praia, famílias a correr pela areia…
Fão tem tudo o que é preciso. Por vezes, paro o carro e fico dias sem pegar nele. Vou as compras, vou ao instituto de estética, eventualmente ao cabeleireiro, quando preciso vou ao hospital, ao multibanco, à loja “dos chineses”, à papelaria comprar uma revista, tomar café ao café enquanto vou à internet graças ao wireless grátis, etc.
As pessoas de Fão são “fangueiras” ou faozenses. Têm uma melodia muito carcaracteristica no falar, e não sei se elas próprias se apercebem disso. São agradáveis e simpáticas. Encontro as pessoas que não conheço na rua e muitas ainda cumprimentam com “Bom dia”. Pessoas juntam-se em recantos da vila a conversar sobre a vida e suas dificuldades…
Junto ao rio, temos um circuito de manutenção física ao lado de um parque infantil. As crianças divertem-se e os pais aproveitam para fazer uma exerciciozito…
Quando vou caminhar junto ao rio, fico a olhar para os patos. Os de colarinho verde, os brancos, os laranjas. As gaivotas estão por lá como se elas é que estivessem a observar esses humanos estranhos. Hoje, um fotografo estava concentrado a fotografar toda azona do rio que é protegida.

Ocasionalmente, não vou caminhar na praia, mas sim no Pinhal de Ofir. Recolho as bolotas do pinheiro para trazer para casa e esmagar no almofariz e ficar com o cheiro de eucalipto dias a fio em casa. No pinhal de Ofir há vários condomínios onde eu gostava de morar. Sem abater arvores contruiram moradias fantásticas.
Existem mais planos de recuperação da zona marítima ou do rio, vejo placas sobre programas diversos. E desde que aqui moro, algumas coisas têm melhorado.
Vivo numa rua que há pouco mais de 5 anos era toda habitada. Agora só vejo casas a gritar por recuperação e placas de imobiliárias…
A minha mãe costuma chamar à minha casa, uma casinha de bonecas. Habituei-me à ideia. Tenho 3 pisos pequenos e um sótão delicioso com terraço, onde no verão apanho sol e faço Yoga.
No verão, Fão enche-se de pessoas que vêm passar férias. Mas durante todo o ano, o fim de semana está cheio de vida, cheio de carros que vêm de todo o lado buscar as deleitáveis clarinhas de fão! Esses doces de Chila viciantes. Ou então as outras imitações, os folhadinhos, almofadinhas, enfim, qualquer coisa de deleitável…
A anual Feira do marisco e da cerveja é um sucesso e recebe milhares de pessoas!
No inverno, é frio claro, mas os corredores do centro histórico protejem-nos de ventos indesejados. Às vezes saio a noite, as 23h ou mais, e dou uma caminhada rápida. Respiro fundo e vejo as estrelas.
Pois, mas Fão tem um pequeno problema. Parece estar a morrer. Parece que ninguém quer recuperar as casas. Casas simpáticas, com janelas românticas, escadarias interiores, azulejos lindos…
As ruas estão vazias e muitas das casas habitadas são já casas de ferias, apenas ocupadas 2 ou3 meses por ano…
Alguém quer viver para Fão? Fica mesmo ao lado de Viana, Povoa de Varzim, Via do Conde, Esposende, Barcelos, a 30 minutos de Braga e do Porto?
Bem…também se vier muita gente, Fão pode perder a sua magia.
Enfim, sinto-me bem em Fão. Como se tivesse tudo à mão, o melhor das tecnologias, excelentes lojas, etc. e ainda mais o bónus de uma paz que me deixa sossegada, um ar puro, e um certo estar “à moda antiga”, que nos leva às raízes da vida em comunidade…


Espero que seja essa a nova noção de cidade. É nessa que eu quero viver. Onde as pessoas se conhecem e se cumprimentam, mas têm internet, grátis, circuitos para actividade física, paisagens lindíssimos, zonas protegidas, enfim...venham ver por vocês próprios. Aqui, só faltam pessoas que valorizem isso e que decidam vir para cá viver...

Nota: Para ver fotos óptimas de Fão, visitem o Blog do Fotografo Alberto Ferreira
Vejam alguns exemplos abaixo...


Parabéns pelo excelente trabalho!






2 comments:

ramirot said...

Realmente os Portugueses dizem tão mal do seu País que é reconfortante ler uma descrição tão simples e bonita de uma terrinha Minhota (se não me engano), fazendo referência aos pormenores, como cores, cheiros e situações enternecedoras, os patos, as bolotas dos pinheiros ou as estrelas. Dá vontade, se não de ir viver para Fão, pelo menos lá ir dar um passeio e experimentar as clarinhas de Fão :).

Cláudio said...

Bom dia!
Nunca tinha ouvido falar de Fão, vila, até entrar aqui. Depois lembrei-me que há muitos anos tive um colega que se chamava assim e agora, como esta cabeça nunca pára, já estou a aqui a pensar no que será feito dele, nunca mais soube nada e por acaso até era boa gente.
Provavelmente herdou o seu apelido dessa vila, de certeza! Vendo bem, nem sei bem se era apelido ou alcunha, considero que existe uma grande hipótese de ser uma alcunha, e como ele até gostava de beber uns copos, podia muito bem ser o diminutivo de garrafão! :)
Lá estou eu aqui, blá, blá, blá, e sendo uma pessoa reservada, é um sinal de que me sinto bem, nesta sua «casa». Quando isso acontece, sou pessoa para entrar, descalçar-me, ir ao frigorífico buscar uma cerveja e refastelar-me no sofá.
Bem, agora e finalmente, em relação ao post, vou-lhe dizer uma coisa. Se Fão tem Mar, rio, pinhal, pessoas simpáticas que nos desejam bom-dia sem nos conhecerem, casas com «águas-furtadas» para venda e bolotas de pinheiro que quando esmagadas cheiram a eucalipto :), não se admire se um dia destes, passar por si e lhe disser, «bom dia vizinha».

Cláudio