Monday, September 20, 2010

Testar limites, descobrir quem somos, sair dos “embrulhos sociais”

Viagem Benguela/Cimo/ Dombe Grande/Lucira/Bais das Pipas/Namibe

BORN TO BE WILD?

Aproveitando o facto do dia 17 de Setembro ser feriado em Angola, decidimos acampar.
Na realidade são apenas 3 dias e apesar de parecer muito, aqui em Angola, onde as distâncias são todas grandes…no fundo, no fundo, não chega para muito.
Vamos a factos: em 3 dias fizemos 930 km, ao longo de aproximadamente 10 horas. DEZ horas dentro num carro, aos tombos a maioria do tempo…

Equipados com pouco, e mantendo a filosofia que queremos estar o máximo próximo da simplicidade (porque a vida, no fundo é simples: KISS:Keep it simple, stupid!), levamos comida, alguns “luxos”. O conceito de “luxo” é relativo e muito pessoal: Um maduro tinto bem português (Monte Velho), um chuveiro próprio para Aventuras “on-the road”, um tanque de água e um leitor de DVD’s com um filme, que não chegamos a precisar sequer de ver para entreter! E um tenda para dormir, claro!

Ao ver a fotos, acho que irão perceber. Não há condições para fotografar a luz da lua a bater na praia deserta, e não há forma de captar o silêncio profundo do meio das montanhas sem viva-alma (nem pássaros, nem nenhum animal!), não há forma de vos descrever a paz de uma praia vazia.

Mas, pelas fotos, captem o que conseguirem.

E acreditem: Fazer uma fogueira só com lume e lenha é bem mais difícil do que o que parece!

Mas não há nada comparável a estar no meio do silêncio, com o mar a berrar bem alto, a luz da lua, o corpo frio a ser aquecido pelas brasas amarelas e vermelhas e laranjas, e cheiro daquele pinho ou não sei bem o nome...tão natural a queima para nos aquecer...

Todos nós estamos em “Embrulhos sociais”. Embalagens em que nos colocamos para nos promover junto dos outros, junto de todas as hierarquias e pessoas da sociedade. Só saindo definitivamente disso, conseguimos nos sintonizar com quem somos.

E é verdade: por vezes é assustador. Parece que não sabemos quem somos quando somos retirados desses embrulhos. Sentimo-nos vazios, desprovidos dos títulos e rótulos que povoam o nosso dia-a-dia. E isso assusta muito gente. Mas não tem de assustar. Os títulos e rótulos que usamos, devem sair quando nós queremos. Como uma casaco que simplesmente se despe.

Muitas descrições da prática de meditação são parecidas com o paragrafo anterior.

Por isso, muitas pessoas não estão ainda preparadas para a meditação ou para o Yoga ou qualquer outra alternativa que implique que as pessoas se dispam de todos os embrulhos (e embrulhadas…) sociais e se descubram a si próprias. E que passem tempos em solidão. E que se confrontem com todos os pensamentos pequeninos que a nossa mente tem…

É nestas enormes extensões de areal vazio, nestas gigantes montanhas, nestes espaços imensos que nem parecem deste Planeta (por ex. na Baía das Pipas) que uma pessoa consegue atingir a sua “ninguemdade”. O Estado de ser ninguém. O estado pacífico de se sentir a formiga mais pequena do planeta. Pacifico, na fase final, porque antes disso, despiram-se as frustrações e os sentimentos estranhos de afinal sermos tão insignificantes…e só depois vem a paz de ser absolutamente ninguém, e no entanto, sentir que somos únicos.

Um abraços a todos os amigos, amigos e á minha família! Muitos Beijos e abraços de 8000 km de distância!

Patty

Foto 1: Detalhe da Baís das Pipas - Namibe

Foto 2: Praia Perto de Bentiaba. Não sei o nome. Completamente Deserta, só se chega de Todo-o terreno, por uma caminho bastante escondido. A cerca de 5 minutos da Praia do Faiel (onde acampamos uma noite)
Foto 3; Praia do Faiel - Acampamento. Eu e o Meu Hermínio conseguimos fazer a fogueira para assar uns bifinhos de vaca e de peru (sim, claro, o vegetarianismo foi colocado em Stand-by já há algum tempo!)


Foto 4: Eu, em frente à tenda, a fazer o arroz de feijão e um pimento assado! Festejando o facto de ter o Monte Velho por companhia (Depois lembro-me sempre que falta "aquele" copo certo para beber aquele vinho, "naquela" temperatura certa...mas depois, tudo sabe bem...)
Foto 5 : A Fogueira: Ah, que bom o  lume a palpitar e depois as brasas...

  Foto 6: Preparando o Pequeno almoço!

Foto 7: Continuando a preparar o pequeno almoço , em formato de Brunch, enriquecido!


Foto 8: E a seguir, lavar a loiça e tomar "banhinho"...vejam bem...de chuveiro! (Para os curiosos, liga-se ao isqueiro uma pequena bombinha que entra no tanque e puxa agua!!! Fria...não se pode ter tudo...)

Foto 9: Um olival  em Bentiaba (onde se situa também o estabelecimento prisional)

Foto 10 : Mais plantações riquíssimas...

Foto 11: Uma praia pequenina, ao lado da praia de "Chapéu armado", uns quilómetros acima do Namibe (Infelizmente a Praia de "Chapéu armado" foi privatizada, e não conseguimos entrar, estava vedada)


 

Foto 12: O outro lado da praia pequenina...

Foto 13: Baia das Pipas: Namibe
 


3 comments:

fatmagülün suçu ne said...

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