"Think out side the box" é uma expressão que tendo a usar muito na minha narrativa. Penso que, por medo, os seres humanos tentam encaixar tudo e todos em quadrados, ideias feitas, quadrados confortáveis, que explicam (ou tentam explicar) ou melhor, "enquadrar" será a expressão correcta, todas as coisas que acontece e pessoas que conhecem.
Isto acontece frequentemente na minha profissão. Ser psicóloga é estar imediatamente condenada a ser encaixada num quadrado, cheia de preconceitos e ideas preconcebidas que as pessoas trazem para as relações.
Quando algo novo ou relativamente novo acontece na nossa vida, o nosso cérebro inevitavelmente vai procurar, as vezes desesperadamente, situações ou pessoas semelhantes do passado. E a´´i, nesse momento de buscas e comparações. reside a infelicidade humana.
A certa altura parece que o ser humano perdeu a capacidade de viver as coisas pela primeira vez. Não é "como se fosse" a primeira vez, é porque, SÃO mesmo as primeiras vezes.
A gastronomia é sempre um bom exemplo.
Todos já comemos arroz. De muitas formas. Quando alguém nos convida "Olha, queres provar arroz de legumes", nós não respondemos imediatamente "Não obrigado, já provei arroz de marisco e não gostei, logo também não vou gostar de arroz de legumes". Bem, se existe alguém à face da terra que dê uma respostas destas, escreva-me.
Por vezes, sinto que, em termos de relações interpessoais tudo isto se resume numa enorme falta de respeito. Quando alguém me conhece, quero que me conheça e não que me desate a encaixar nos seus quadrados, comparando-me com X e Y.
Quando algo acontece na minha vida, que se assemelhe de alguma forma a algo que já aconteceu, tento, a todo o custo, viver esse momento como se fosse a primeira vez. Se eu não fizer isto, estou a empacotar pessoas nos quadrados que eu tenho criados, quando não tenho nenhum quadrado para a aquela pessoa!!! E Isso é uma sensação horrenda.
A outra expressão com que simpatizo muito, do inglês é o "Clean Slate".
- an opportunity to start over without prejudice
- fresh start, tabula rasa
- chance, opportunity - a possibility due to a favorable combination of circumstances;
-If you start something with a clean slate, then nothing bad from your past is taken into account.
Foi difícil, mas penso que finalmente consegui.
E no que respeita a mim, quem não abrir um CLEAN SLATE para mim, não me merece...
Arrumei num cantinho os quadrados do passado, e arranjei uns quadrados vazios. Clean Slates para o futuro. A única coisa que peço é que todos tentem fazer isso. Serão mais felizes. Muito mais.
Tuesday, January 03, 2012
Sunday, January 01, 2012
Dukkha, os fins e os começos
Dukkha é a palavra em sânscrito que designa sofrimento. Dei por mim a pensar nisso e na vida do Buda, e no sofrimento em geral que as pessoas se permitem viver.
Este texto não visa ser científico nem ambiciona ser perfeito no que respeita aos fundamentos do Budismo, note-se. É mais uma reflexão minha, como sempre.
Das quatro nobres verdades do Budismo, a primeira diz-nos que a vida é sofrimento. Depois Buda apresentou as causas e claro, o caminho (em oito partes) para nos livrarmos desse sofrimento. Quem tiver curiosidade procure saber mais...
Os fins e os começos que acontecem nas nossas vidas são uma das grandes causas de sofrimento. Se ao ler está a pensar que um fim é mais doloroso que um principio, está enganado.
Vejamos na perspectiva da gestão de Recursos Humanos: Começar um emprego novo não é tantas vezes emocionante, recheado e medos e inseguranças, emoções fortes, novas pessoas, novas hierarquias, etc. tanto qual a perda de um emprego?
Acabar e Começar são faces da mesmo moeda. Este é um principio básico quer do budismo quer do Yoga e quando aprendemos a viver os dois momentos, os fins e os começos, aceitando as nossas emoções tal como elas são, evoluímos. O cariz que atribuímos às vivências, como negativas ou positivas, faz apenas com que dividamos o mundo em dois, sempre este mundo dicotómico, bruscamente dividido entre o bem e o mal, a luz e as trevas, o gosto e o não gosto, como se essa simplificação nos ajudasse de alguma forma a viver melhor.
É em união que conseguimos evoluir e não em dispersão ou dicotomização. Para mim já foi mais difícil (O difícil e o fácil também é uma dicotomização!!!!) e, lentamente, começo a aceitar as minhas emoções como uma feliz parte de mim, porque posso sentir. Porque não tenho anedonia, porque finalmente começo a conseguir ser a "testemunha" da minha vida, nas palavras de Buda, assistindo a tudo o que se desenrola, com a paz necessária, e com o meu interior, o meu purusha, o meu si, a parte de mim que está realmente unida ao ser universal, às raízes do universo...
O Sofrimento faz parte da vida, a sua causa é o desejo. Quando desejamos demais sofremos. Quando desejamos sofremos, quer desejemos uma coisa fantástica que nunca mais chega, ou quando desejamos que algo horrível não aconteça, também sofremos.
Só quando conseguirmos ver a vida como uma bem primordial que deve ser vivido tal como nos é oferecido, conseguiremos viver realmente. Saindo dos clichés habituais, claro, porque é muito mais profundo do que o senso comum no quotidiano nos transmite. "A cavalo dado, não se olha a dente". Viver a vida em aceitação, é a única forma de realmente aceitar o bem vida, que nos foi oferecido...
Este texto não visa ser científico nem ambiciona ser perfeito no que respeita aos fundamentos do Budismo, note-se. É mais uma reflexão minha, como sempre.
Das quatro nobres verdades do Budismo, a primeira diz-nos que a vida é sofrimento. Depois Buda apresentou as causas e claro, o caminho (em oito partes) para nos livrarmos desse sofrimento. Quem tiver curiosidade procure saber mais...
Os fins e os começos que acontecem nas nossas vidas são uma das grandes causas de sofrimento. Se ao ler está a pensar que um fim é mais doloroso que um principio, está enganado.
Vejamos na perspectiva da gestão de Recursos Humanos: Começar um emprego novo não é tantas vezes emocionante, recheado e medos e inseguranças, emoções fortes, novas pessoas, novas hierarquias, etc. tanto qual a perda de um emprego?
Acabar e Começar são faces da mesmo moeda. Este é um principio básico quer do budismo quer do Yoga e quando aprendemos a viver os dois momentos, os fins e os começos, aceitando as nossas emoções tal como elas são, evoluímos. O cariz que atribuímos às vivências, como negativas ou positivas, faz apenas com que dividamos o mundo em dois, sempre este mundo dicotómico, bruscamente dividido entre o bem e o mal, a luz e as trevas, o gosto e o não gosto, como se essa simplificação nos ajudasse de alguma forma a viver melhor.
É em união que conseguimos evoluir e não em dispersão ou dicotomização. Para mim já foi mais difícil (O difícil e o fácil também é uma dicotomização!!!!) e, lentamente, começo a aceitar as minhas emoções como uma feliz parte de mim, porque posso sentir. Porque não tenho anedonia, porque finalmente começo a conseguir ser a "testemunha" da minha vida, nas palavras de Buda, assistindo a tudo o que se desenrola, com a paz necessária, e com o meu interior, o meu purusha, o meu si, a parte de mim que está realmente unida ao ser universal, às raízes do universo...
O Sofrimento faz parte da vida, a sua causa é o desejo. Quando desejamos demais sofremos. Quando desejamos sofremos, quer desejemos uma coisa fantástica que nunca mais chega, ou quando desejamos que algo horrível não aconteça, também sofremos.
Só quando conseguirmos ver a vida como uma bem primordial que deve ser vivido tal como nos é oferecido, conseguiremos viver realmente. Saindo dos clichés habituais, claro, porque é muito mais profundo do que o senso comum no quotidiano nos transmite. "A cavalo dado, não se olha a dente". Viver a vida em aceitação, é a única forma de realmente aceitar o bem vida, que nos foi oferecido...
Sunday, October 30, 2011
A Ilusão de liberdade
Todos precisamos de liberdade. Ou pelo menos de sentir a ilusão de liberdade. Eu preciso. E ultimamente tem sido difícil ter essas sensação. Viver entre 4 paredes literalmente, em 20 m2 ou algo assim, corta essa sensação. Não ter carro corta essa sensação. Não ter um espaço para viver a solidão, para chorar, para gritar, para cantar alto ou dançar livre pelo caminho.
Sentir que não tenho para onde ir, porque estou isolada de tudo. Sentir que tudo à minha volta me impede de fazer o que quero.
Podem dizer que "é a vida", mas basta viver com a tal ilusão de liberdade, que o nosso sentir é já diferente. O carro parado lá fora é ilusão de liberdade. Uma casa com mais de um compartimento é ilusão de liberdade. Poder sair, a pé, para algum sítio. Sentir que temos amigos aos quais podemos ligar a qualquer hora para tomar um café, mesmo que não liguemos, é a ilusão de liberdade que nos alimenta. Ou será mesmo a liberdade? Não interessa a nomenclatura que lhe demos.Ser livre é pensar livre. E, ultimamente, o problema é meu. A minha mente não está a conseguir pensar que é livre.
Friday, September 23, 2011
Novo projecto: Ginásios com micro geração de energia
Tive uma ideia. Já que há falta de energia renovável e limpa, situação que está sempre a gerar discussão em Portugal, Porque não criar Ginásios com micro geração de energia?
Eu explico.
Portugal, segundo ouvi dizer, compra energia a outros países. A EDP e outros forncedores estão prestes a aumentar o preço do fornecimento.
Ao mesmo tempo, constato que cada vez há mais ginásios a abrir e mais gente a querer preder mais peso. Ora, isto é um grande desperdício! Porque é que não se cria um sistema de geração de energia ligado as passadeiras, bicicletas e todos as outras maquinetas todos que estão nos ginásios!!!??? Por favor, pensem nisso! Estamos a desperdiçar energia que nós próprios produzimos!
Já imaginaram não ter de pagar a conta da Luz? Basta ter um acumulador, fazer 3 horas de Spining por semana e já está! E se marido e mulher e filhos dividirem as tarefas na passadeira poupa-se na conta de electricidade e, logo, perde-se peso, logo, reduz-se a obesidade, logo, reduz-o o risco de ataque cardíaco e morte por problemas coronários, logo, o desporto elevado o humor, logo, provavelmente reduz os niveis de depressão (que têm vindo a aumentar em Portugal), logo, logo, logo...
Digam lá se eu não tenho razão? Alguma empresa ou engenheiro quer avançar com esta ideia? Eu ofereço a ideia, nem quero comissão nem nada, mas avancem! (Por favor, digam que a ideia é minha, pois matei diversos neurónios a pensar nisso, e como sabem, os neurónios não renascem...)
Eu explico.
Portugal, segundo ouvi dizer, compra energia a outros países. A EDP e outros forncedores estão prestes a aumentar o preço do fornecimento.
Ao mesmo tempo, constato que cada vez há mais ginásios a abrir e mais gente a querer preder mais peso. Ora, isto é um grande desperdício! Porque é que não se cria um sistema de geração de energia ligado as passadeiras, bicicletas e todos as outras maquinetas todos que estão nos ginásios!!!??? Por favor, pensem nisso! Estamos a desperdiçar energia que nós próprios produzimos!
Já imaginaram não ter de pagar a conta da Luz? Basta ter um acumulador, fazer 3 horas de Spining por semana e já está! E se marido e mulher e filhos dividirem as tarefas na passadeira poupa-se na conta de electricidade e, logo, perde-se peso, logo, reduz-se a obesidade, logo, reduz-o o risco de ataque cardíaco e morte por problemas coronários, logo, o desporto elevado o humor, logo, provavelmente reduz os niveis de depressão (que têm vindo a aumentar em Portugal), logo, logo, logo...
Digam lá se eu não tenho razão? Alguma empresa ou engenheiro quer avançar com esta ideia? Eu ofereço a ideia, nem quero comissão nem nada, mas avancem! (Por favor, digam que a ideia é minha, pois matei diversos neurónios a pensar nisso, e como sabem, os neurónios não renascem...)
A vida em pausa
Às vezes tenho uma clara e nítida sensação que tenho a vida em pausa.
Tenho um nítido sentimento que estou algures numa pausa e que vim aqui viver um pouco.
Depois, caio em mim e concluo que isto é que é a vida "a sério" e que este momento é que foi uma pausa.
Será? Talvez ande a ver muitos filmes sobre viagens no tempo, mas essa sensação de pausa faz-me sentir que a qualquer momento vou voltar à outra coisa que eu estava a fazer ou à outra vida que eu estava a viver e que, quando lá chegar, só passou um minuto ou um segundo.
Mais alguém partilha deste sentimento?
O facto de ter vindo trabalhar para Angola ilustrou-me pela primeira vez este tal sentimento.
Em 2008, quando vim para o Lubango, muitas vezes tinha a sensação que tinha deixado a vida em pausa em Portugal.
Em 2008, quando vim para o Lubango, muitas vezes tinha a sensação que tinha deixado a vida em pausa em Portugal.
O problema é que, apesar de saber que não é verdade (ou ter quase a certeza!), quando retorno a Portugal essa sensação acaba por sair reforçada, pois encontro a maioria das coisas exactamente como as deixei!
Às vezes o mesmo papelucho que deixei em cima da mesa ainda lá está, as pessoas parecem iguaizinhas ao aspectos que tinham no dia em que tomei café com elas há 4 meses, o meu carro esta lá a minha espera e, as vezes, até a minha roupa parece ainda cheirar a mim.
Será que não passou apenas 1 segundo desde que sai de lá?
Ou o facto de ter completado agora 33 anos, uma idade algo mítica, fez-me entrar numa nova crise?
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