Tuesday, November 09, 2010

Um tanque de lavar roupa...


Recentemente, mudei de casa. Essencialmente por motivos financeiros, já que o arrendamento em Benguela (e penso que em Angola em geral) é um mercado caro, complexo e um pouco anárquico).

Desde que cheguei que lavo a minha roupa. Não tenho tido s sorte de me encontrar com esse fabuloso electrodoméstico chamado máquina de lavar roupa.

Nesta nova casa, encontrei um tanque. Um tanque de pedra, com as suas rugosidades para esfregar roupa. Isso levou-me de volta à minha infância. Às primeiras aprendizagens de como lavar roupa. Claro que, como psicóloga e como escritora, reflicto que essa educação foi gravemente imbuída de estereótipos, dos quais me esforço por sair hoje em dia. Mas é o que eu tenho. A memória do calor a apertar, e de ficar parcialmente contente pela minha tarefa envolver agua. A minha cuidadora, ama e amiga Rosa a ensinar-me como esfregar a roupa, para cima e para baixo, no tanque, até fazer espuma, e espalhar o sabão por toda a roupa. Os cuidados a ter porque a pedra do tanque é dura e arranha alguma roupa.

Hoje, como professora de yoga a lavar a roupa no tanque, vejo a meditação em movimento claramente. Através daquele movimento repetitivo o cérebro encontra uma fuga, uma estereotipia que descarrega a ansiedade. Simbolicamente, lavar algo externo pode projectar a lavagem de algo interno, freudianamente, a sensação de se estar a purificar por dentro enquanto purificamos algo por fora.

O torcer da roupa à mão, à força, também me levou em flashbacks. No início, quem chega a Angola, vindo das “Europas” e outras civilizações tecnológicas fica choque, por vezes até triste, com estes actos. Mas é preciso pôr a mão na massa para sentir as coisas de outra forma. Acreditam que já ouvi pessoas com um ar preocupado e a modos que escandalizado que dizem “tu lavas a tua própria roupa?”

3 comments:

ramirot said...

Segundo vários autores, da área da meditação e coaching que tenho lido últimamente, como Paul Wilson e o seu livro "Um Pouco de Paz", ou Paul Mackenna ("Confiança Instantânea"), não interessa o que fazemos, mas sim como o fazemos e, quando nos focalizamos só no que estamos a fazer, é quase uma forma de meditação e o tempo passa rápidamente, além de realizarmos as tarefas melhor. Um abraço
Ramiro Ferreira

Nanaraben said...

Interessante... pesquisando na net encontrei o seu sobrenome que é o mesmo que o meu ARAÚJO BENTO. O mais engraçado é que vc esteve no Hotel Nancy, que é meu primeiro nome? Será o destino?
Abraços

Sónia said...

Gosto do seu blog. Continue!
Sónia