Monday, October 07, 2013

O Conhecimento do Senso Comum: Mais vale só do que mal acompanhado

Existem quatros tipos de formas de obtenção de conhecimento humano: o Conhecimento do senso comum, o conhecimento filosófico, o conhecimento religioso e mais recentemente o conhecimento científico.
Esta é uma das minhas primeiras aulas de Metodologia de Investigação Científica.
Quando o método científico surge, não tem como objetivo anular os outros.
O método científico é talvez o único que exige formação mais avançada, apesar de todos os outros exigirem alguma.
O conhecimento filosófico baseia-se em racicionios lógicos, silogismos etc.
O conhecimento religioso é dogmático, é o mais antigo, e baseia-se em dogmas que as religões criaram.
O conhecimento do senso comum, baseia-se em observações e experiências dos seres humanos ao longo de milhares de anos.
O Conhecimento científico, baseia-se em provas, obtidas segundo um conjunto de técnicas e normas que os seres humanos desenvolveram.
Os provérbios populares são um dos grandes exemplos de conhecimento científico.
Resumidos, exatos, sem grandes filosofias, deixam ao nosso critério individual a vivência da vida, para que depois confirmemos se estão adequados a nós ou não.
Este proverbio, “Mais vale só do que mal acompanhado” é forte. É duro. Parece quase agressivo ao dizer.
Vamos suavizá-lo e enquadrá-lo nas nossas vidas.
O ser humano é um ser gregário, naturalmente, gosta e obtem prazer de conviver com outros animais (racionais ou não-racionais).
É um ser afetivo (exceptuando casos patológicos que não possuem afetos, como é o caso dos psicopatas), é um ser que gosta de partilhar ideias e experiências com os outros seres (humanos ou não) e, ainda para mais com o desenvolvimento do cortex cerebral, miraculoso e único no planeta, o ser humano começou a ter prazer em trocar mentes, tocar outras mentes, estabelecer relações mentais com outros seres humanos. Dsad
 
Tudo isto faz sentido. Porém, a sociedade atual impulsiona-nos a manter contato com alguém continuamente.
Estar só por prazer de estar só é quase roçar a patologia.
E mesmo quando estamos só, temos telemóvel. A Nomofobia, a nova patologia de dependência do telemóvel, acabou por vir piorar bastante esta situação.
Podemos até estar sós fisicamente, mas estamos sempre em contacto com outros.
Ao nível dos afetos, há situações onde isto se tem tornado cada vez mais grave.
As pessoas sempre precisaram dos afetos dos outros, principalmente dos outros humanos.
Mas, de alguma forma, a globalização, a tecnologia, a abertura do mundo, gerou seres humanos que precisam de sentir o afeto dos outros. Ou outros seres humanos já eram mesmo assim, no núcleo da sua personalidade, e ainda não conseguiram ultrapassar isso.
Precisam de estar ligados, precisam de alimentar o ego, precisam de sentir que está ali alguém, algures, à distância ou presencial, que o admira, que flerta, que o faz sentir desejado, admirado, ouvido. Precisam de alimentar uma rede de contactos.
E o foco desta análise é entre o “Precisar” e o “Querer”.
Façamos um exercicio. Estamos sós. Na nossa agradável companhia. E de repente, dentro de nós, nasce uma necessidade, em segundos, de ligar para alguém. Parem um segundo. Querem ligar porque querem conversar com a pessoa, gostam dela ou PRECISAM de ligar-se com alguém? Se este ou esta não atender, pode ser o próximo...é igual, qualuqer um/a serve? O que têm nao chega, precisam de mais. Precisam de sentir que está ali alguém. E, por vezes, precisamos de alguém, e isso é natural.
Ao refletir sobre esse provérbio, Mais vale só do que mal acompanhado, é essa a minha reflexão.
Isto aplica-se a qualquer relacionamento, seja de amizade, de amor ou de outro tipo.
No caso do amor, esse relacionamento deve preencher-nos. O que não invalida que mantenhamos outros relacionamentos de amizade, pois são necessários. Mas uns não se podem anular aos outros. No seu cariz, para ser inteiros, integrais, completos, os relacionamentos devem estar cheios de verdade e, por isso, sejam de que tipo forem, os relacionamentos devem se entrecruzar, ter conhecimento uns dos outros.
Estar acompanhado com alguém que só está por estar, que não faz questão absoluta de estar connosco, que não pensa “não há mais ninguém neste momento com quem gostaria de estar”...será que vale a pena? O Povo diz que não. E então, mais vale só.

As coisas que realmente valem a pena nesta vida


Adormecer no ombro de alguém de quem se gosta
Fazer uma surpresa, de tirar o folego, a alguém
Inspirar profundamente no pescoço de quem se ama
Cheirar a terra molhada
Olhar para o ceú estrelado até doer o pescoço.
Olhar no fundo dos olhos de quem se ama
Ajudar um amigo, sem esperar nada em troca
Sentir o primeiro ar de outono
Vestir a primeira camisola de gola alta no início do inverno
Sentir o sol a escaldar a pele na primeira vez que se vai à praia
Sentir os respingos do mar numa cmainhada de inverno
Andar de mão dada
Um beijo leve nos lábios
Conduzir por uma estrada ampla, sem destino
Encontrar o corpo nu à pele de outro corpo nu
Sentir o vento ao andar de mota
Cortarmo-nos e ver o nosso próprio sangue, ter certeza que estamos vivos
Escrever à mão, ouvir o som da caneta a deslizar no papel
Inspirar fundo, fundo...no fim de uma situação difícil
Descalçar os sapatos e andar pela relva
A alegria cega, pura e verdadeira do nosso cão/gato quando chegamos a casa
Tomar banho de imersão nu mdia frio, com velas e incenso e uma música relax
Fazer amor no chuveiro, inesperadamente
Dormir agarrado a quem se ama, de vez em quando
Cozinhar algo, com prazer, apurar, provar, apurar
Beber um bom vinho (para mim maduro tinto, Português!)
Estar só, sentir a paz de estar comigo...e gostar da pessoa em que me tornei
Perder o folego com uma paisagem da natureza
Sentir a chuva no rosto
Salvar um animal
Dar um verdadeiro elogio a alguém
Regressar a casa...


(Texto de Patrícia Araújo)



Thursday, October 03, 2013

Ser feliz é dificil

Ser feliz é dificil. Não é dificil atingir a felicidade, é dificil aceitá-la. Quando lá chegamos, parece que algo nos puxa para a miséria.

E no fundo, vive-se tão bem quando estamos infelizes. Alimentamo-nos da energia dos outros, da pena, de nos sentirmos vítimas. Quando estamos realmente felizes, nao conseguimos ficar lá. OU será que nao queremos?

Chego à conclusão que há pessoas que nao querem. A nossa sociedade atual dá muita atenção a tudo o que é negativo, tudo o que é “coitadinho” e as pessoas inteoriozaram que para obter atenção, têm de se demonstrar negativas, deprimidas, dificeis, infelizes.

Quando aparece alguém na nossa vida que é aberto, feliz, verdadeiro, autentico...muitas vezes dizemos ou pensamos que aquela pessoa não está bem. É anormal.

Ser feliz é ser anormal, atualmente.

Ter alegria, ter contentamento, ajudar os outros sem intenções...é sinal de que qualuer coisa é estranho. Pensamos logo que existem segundas intenções.

As pessoas desenvolvem muralhas, defesas para se proteger da excessiva felicidade. É perigoso ser feliz demais.

Como dizia uma parábola zen “Se escrevermos com marcador branco num quadro branco, nao se distingue. Escrevemos a preto num quadro branco...”

Para saber abraçar a felicidade, é preciso ter abraçado muito a tristeza profunda, ter chorado e sofrido “até ao fundo do poço”, para depois DECIDIR subir até cá acima e viver a felicidade.

Quem nunca viveu profundamente o sofrimento, nao poderá viver profundamente a alegria.

E quem viveu muito profundamente o sofrimento e, ironicamente, sentiu algum conforto lá (por mais estranho que parece isto acontece inconscientemente) pode não DECIDIR subir o poço.

Pode decidir lá ficar. Porque é bom. Porque é confortável. Porque é estável. É certo. É o mais ou menos. É o “deixa estar não mexe...porque pior nao pode ficar”.

E depois não se arrisca. Porque DECIDIR subir o polo e ser feliz, é ter de arriscar. Sabendo que se subirmos até cá acima, podemos descer até lá baixo de novo, já amanhã.

E às vezes, ficar lá em baixo é mais acolhedor.

É preciso muita coragem para ser e ficar feliz. É preciso decidir. DECIDIR.

E com isto nao quero dizer que é uma vida menos válida. Querem ficar lá em baixo, segurinhos, fiquem. É simplesmente sinal que não estão prontos. Quere ser feliz é arriscar tudo. É colocar as estranhas todas de fora. É expor-se aos outros. É por-se a nu. Tudo a nu. É realmente “dar a outra face” se for preciso. E ser feliz não quer dizer não ter momentos de dúvida, incerteza, medo, defesa, tristeza. É integrar esses momentos todos no eu. É perceber que eles fazem tanto parte da felicidade como quando estamos em pleno sofrimento e, por vezes, temos lampejos de felicidade...

Ter coragem para ser feliz, é ter coragem para aceitar tudo isso, integrado no nosso eu, e mesmo assim arriscar. É fazer uma gestão do risco emocional, e decidir ir em frente.

Não saímos à rua só com calças. Nao temos de escolher entre vestir calças ou camisola ou casaco. Não há “Ous”. Há “Es”. Vestimos as calças (tristeza), o casaco (a alegria), a camisola (dúvida), calçamos os sapatos (insegurança), o cinto (certezas) e todas as mais metáforas que quisermos. Faz tudo parte de nós. E Depois...temos um conjunto...que é o nosso EU. Quando tivermos coragem de integrar o conjunto, e aceitá-lo como um todo inseparável e com harmonia, aprenderemos a ser felizes. Se recusarmos o “conjunto”... escolhemos ser infelizes, pois estaremos a negligenciar parte de nós.

É preciso muita coragem para ser feliz. Parabéns a todos aqueles que são “demasiado” felizes.

Monday, September 23, 2013

Tecnologia, Tecnologia...para que te quero...


Estive em férias uma semana. Mas para mim, não há férias da observação. Principalmente observar os humanos no seu habitat natural.

 

E, digo-vos muito está realmente a mudar.

 

Os seres humanos estão, mais uma vez a descurar os sentidos. O Olfato já perdeu grande capacidade e predominância, em termos evolutivos, nomeadamente pelo facto de nos termos afastado do chão, aquando da evolução para Homo erectus.

 

Agora é a vez da visão e audição. Os humanos nao estão a usar os seus sentidos diretamente!

 

Simplesmente veem tudo através de ecrãs.

 

Foi fantastico e triste ao mesmo tempo, constatar a quantidade de pessoas que tirava fotografias na praia, dentro da agua, dentro da piscina, com iphones, ipads e outras coisas mais.

 

Dentro de grutas magnificas, as pessoas passaram todo o tempo a disparar fotos. Poucas pessoas tocaram na pedra, sentiram o ambiente, inspiraram o ar, ouviram o silêncio de uma gruta subterrânea oferecida pela natureza.

 

Pessoas sentadas em muros, desesperadas por sinais wireless gratuitos. Pessoas em grupo, sentadas em esplanadas, com paisagens belas, a olhar para ecrãs...e ironicamente, eventualmente a ver outras coisas belas.

 

Já dizia o António Variações "Estou bem, aonde nao estou".

 

Os seres humanos nao vivem no presente. Vivem no futuro (tiram fotos e fazem gravalções do presente para ver no futuro) e vivem no passado (sempre em comparações, e a planear já reviver o passado no futuro! Nao é irónico?).

 

A tecnologia não nos está a tirar o Presente?

 

Não estaremos a caminhar para ficar sem sentidos nenhuns?

 

Não estará a tecnologia a criar uma nova caverna de Platão? Estaremos a prepara-nos para reviver uma espécie de espelho da realidade? Não serão sombras?

 

Estamos voluntariamente a ir viver para dentro da Matrix???

Tuesday, September 03, 2013

Limpeza Kármica e os amigos


Estou a chegar aos 35 anos. Sendo assim, segundo algumas crenças de que renovamos o nosso corpo a cada 7 anos, vou para o meu 6 corpo (7x5=35) e estou a fechar a existência do meu quinto corpo.

 

Poderia refletir sobre muita coisa, mas nesta fase particular da minha vida, decidi refletir sobre as amizades.

 

Tenho poucas e boas amizades. Nao quero Mais. Prefiro ter 3 bons amigos, do que 50 pessoas com quem tomar um copo.

 

E dei por mim a pensar, no meio da minha autenticidade (tema do blog e meu objetivo Karmico nesta vida), sobre o que é um amigo.

 

Quase todos os dias sou invadida com frases feitas no facebook sobre a amizade. Frases belas, de autores conhecidos ou não, imagens tocantes, principios de vida... mas depois, na realidade, poucos os seguem realmente.

 

É duro e exigente viver na verdade e na autenticidade.

 

E, às vezes, mesmo que vivamos ou tentemos, os outros continuam a julgar que estamos em manipulações, e isso dói.

 

Mas antes... duas notas.

 

Karma significa, na raiz, ação. Toda ação terá uma consequência. Boa ou má. Isto dependerá da intenção da ação. Assim, ao contrário do que muita gente pensa, Karma nao é "o que fazes de mal, volta para ti mal".

 

Mas sim, tudo o que fazes com determinada intenção, volta para ti igual. Assim, podemos fazer algo muito bom (tudo é subjetivo) mas tinhamos a intenção inicial de magoar ou prejudicar alguém...e a inteção é que conta.

 

Por outro lado, a palavra amigo. Amicus está o verbo "amo", que significa "gostar de", "amar".

 

No meio da minha limpeza Kármica a caminho do meu 6º corpo, o meu foco naturalmente revelou-se ser os amigos.

 

E cheguei a algumas conclusões, que nao tirei de animo leve, apesar de algumas parecerem perfeitos clichés. Agora comprovados como verdades minhas.

 

1.º Mais vale só do que mal acompanhado. Passo muito tempo sozinha. Não por falta de pessoas com quem estar, nem por falta de amigos. Mas sim porque prefiro estar só, do que acompanhada de pessoas cuja intenção karmica eu duvido.

 

2.º Amigo nao cobra. Amigos não cobram, não ajustam contas, nao mandam bocas indirectas, nao ajem com segundas intenções.

 

3.º Amigos são para sempre. Memso que passem anos, dias, meses. Amigos ligam para amigos, sem pensar quem ligou da última vez. Amigos ligam porque querem estar com os amigos e NÃO ligam quando não querem estar...e os amigos compreendem. Porque as pessoas têm direito a estar com quem querem estar naquele momento.

 

4.º Amigos não fazem os amigos sentirem-se culpados ou pressionados. Passe o tempo ou as situações que passarem, os amigos nao fazem o outro se sentir pressionado a fazer algo, a convidá-lo para algo, e nao anda a contabilizar nada. Não há conta-corrente entre amigos.

 

5.º A amizade verdadeira nao tem fronteiras. Pode-se conversar sobre tudo. Pode dizer-se todas as VERDADES. A verdade doi sempre mais, mas é pura. A Mentira , muitas vezes dói menos, mas está poluída à partida e vai continuar a poluir a vida toda.

 

6.º Amigo nao tem medo de magoar o amigo. Amigos sabem que a mesmo que se discorde, respeita-se, e se não se gosta de algo no outro ou numa situação, comunica-se ao outro. Sem indirectas, sem picadas (porque os seres humanos não são animais, logo, não funcionam por picadas ou chicotadas para andar para a frente).

 

Assim, se algum dia voltar a sentir pressão, culpa, picadas, bocas, etc., vou resintonizar. Vou dar mais algumas chances de construir aquela amizada. E depois das chances, vou deixar essa amizade para trás.

 

Porque os amigos também mudam, também deixam de ser compativeis connosco e têm esse direito. Têm o direito de encontrar amigos mais compativeis, e temos o direito de terminar as amizades saudavelmente.

 

Porque, tal como qualquer outro relacionamento entre seres (humanos ou não), os relacionamentos fazem sentido num determinado tempo histórico e espacial. E depois terminam. O fim de uma amizade por ser algo tão benéfico e saudavel como uma inicio.

 

Os seres humanos desevolveram nos ultimos seculos um medo enorme de FINS (assunto que já foi tema de outro texto meu aqui no blog).

 

O fim de uma amizade pode ser o final mais profundo do quão bela foi aquela amizade e do quanto representou na vida das duas pessoas.

 

A todos os meus amigos atuais, um abraço. Eles sabem quem são.

 

A todos os meus amigos com quem partilhei grandes amizades no passado, outro abraço. A nossa amizade já acabou no espaço mas saibam que permanece no tempo (no tempo passado), e independentemente de qualquer coisa que se tenha passado ou que simplesmente as nossas vidas se tenham afastado, vocês estarão no meu cérebro e no meu coração para sempre.

 

A todos os meus amigos do tempo futuro, venham. Tentemos.

 

A amizade, como qualquer relação humana, exige empenho. Exige duas partes. Pode parecer um cliché, e é. É tão básico e tão dificil.

 

Enquanto escrevo este texto, a voz dentro de mim, do meu eu mais espiritual, repete algo sobre o qual já escrevi muitas vezes. As relações tóxicas. Não se mantêm relações que se tornaram tóxicas. Por muito que o passado tenha sido lindo. Nao são as pessoas que se tornam Tóxicas, note-se. São as relações.

 

E a voz dentro de mim, nesta minha caminhada para o 6º corpo renovado, diz-me que há várias relações que se tornaram tóxicas. Vou terminá-las. Naturalmente. Desejo a essas pessoas, uns foram amigos outros conhecidos outros colegas, nao interessa, a maior das felicidades. Talvez a relação deles comigo também seja tóxica. Que me guardem nos seus corações para sempre.

 

Mas a minha regra de vida é simples. OU é autêntico ou não é. E não há que ficar triste com os fins. Terminam belas amizades, que continuarão para sempre belas. Arrumadas com carinho no meu arquivo cerebral, na minha pasta de fotos, no meu diário. Quem sabe um dia, deixem de ser tóxicas. Quem sabe um dia voltem a ser reactivadas. Por ora...é o fim.

 

Às vezes dói viver assim. Às vezes parece mais fácil fingir, fazer de conta. Ter consciência plena dos fins da nossa vida não é fácil. Mas é claro, é limpo, fica-se com o coração aberto para outra...