Thursday, December 13, 2012

Entusiasmo



Já lá vai algum tempo que não escrevo no blog. O Doutoramento e a escrita cientifica tem-me roubado o tempo de escrita.
Mas refletir é que é realmente viver. E esta semana, dei por mim a pensar que as pessoas estão a perder força, a perder brilho, a perder muita clareza, lucidez, alegria.
E Andei à procura de palavras. E Cheguei à palavra ENTUSIAMO.
É uma palavra muito completa.
ENTUSIASMO.
E o pior é que elas estão a perder tudo isso porque se estão a roubar a elas próprias. E Pior ainda, perdem e roubam-se dessas características e culpam crise, o dinheiro e outras coisas.
Sei que muitas pessoas pensam que eu sou idealista. Talvez. Mas a verdade é que sou feliz. Sou feliz por mim, não por outros, ou por dinheiro.
A verdade é que eu vi pessoas, à minha frente, a perderem o entusiasmo pela vida, a olhos vistos, de dia para dia, por causa de dinheiro, de ganância. E reparem: as palavras são muito importantes. Eu não escrevi ambição, mas sim GANÂNCIA. É tão diferente!
Muitas pessoas alegam que não têm entusiasmo, que sempre foram assim, e não querem mudar. Mas se lhes perguntarmos se querem ser ricos, aí…sim, já estão dispostos a mudar. O dinheiro é muito mais difícil de ganhar do que o ENTUSIASMO, não dá para ver? O entusiasmo pela vida só depende de nós próprios e de querermos abrir os olhos, abrir a mente.
Fico triste quando as pessoas dizem não vale a pena (Fernando Pessoa parece que também ficava). Fico triste quando as pessoas não se dão ao trabalho de surpreender os outros, de lhes criar emoções, de se emocionarem!
Fico triste quando usam a desculpa do TEMPO.
Fico desiludida tantas vezes com a humanidade. Porque não conseguem ver…
Fico triste quando olho no fundo dos olhos de uma pessoa e não vejo entusiasmo. E fico mais triste ainda quando alguém em diz que me entusiasmo com pouco. É uma frase que me ficará para sempre gravada na memória.
Mas ao mesmo tempo, fico feliz por alguém ma dito, cara a cara, olhos nos olhos. Porque confirmo que ainda me consigo entusiasmar com pouco.
E não, eu não nasci assim. Nasci na mesma crise que todos os outros. E simplesmente fui abrindo a mente.
E fico triste quando alguém diz que não radicalmente a algo, porque está a dizer que não.
E fico triste quando alguém me diz “ainda bem que ainda tens paciência para isso”, seja isso o que for. Porque é que não havia de ter? Ter paciência com tudo e todos, é ter paciência para viver! E PACIÊNCIA é outra palavra tal bela. É quase ciência, é leve, é sagesse, é anciã, é melódica.
Se eu não tiver paciência com a vida, vou tê-la quando? Com a morte?
Fico sinceramente e profundamente triste pelos seres humanos. E fico preocupada quando alguém não se entusiasma. Parece haver cura para tudo. Parece haver doença para tudo.
A falta de entusiasmo devia ser uma doença (nota: como psicóloga sei que, de alguma forma é depressão, mas não cumpre os critérios de diagnóstico todos…)
A falta de entusiasmo é muito séria muito grave. É ver os olhos baços de pessoas que deveriam ter tanto pelo que se entusiasmar.
ENTUSIASMAR.
ENTUSIASMAR.
E não sei o que fazer mais.
E, depois, por outro lado, além de querer que as pessoas se entusiasmem com a sua própria VIDA, penso que quero que alguém se entusiasme comigo. Por mim, para mim, por minha causa, pela minha presença, pelo meu olhar, pela minha pele, pelo meu cheiro, pela minha forma de ver a vida, pelas minhas obsessões, pelos meus defeitos, pelo meu ENTUSIASMO.
E acho que isso é que é AMAR alguém. E, no fim de tudo, isso é que é amar a vida.

Thursday, September 06, 2012

Há momentos na vida que nos apanham desprevenidos


Há momentos na vida que nos apanham desprevenidos...e profundamente felizes.

Algum citou as minhas palavras e, por momentos, nem sequer queria acreditar que eram as minhas palavras!

”A vida é para tentar, para tombar, sofrer, e depois ser feliz, e depois sofrer outra vez. Mas para viver plenamente, temos de tombar. E quanto mais vezes dermos o salto, de coração, mais vamos sofrer e mais vamos ser intensamente felizes! Não há outra forma de viver. O resto de formas de SOBREviver.” Patricia Arajo 2012.

Obrigado, Sandra Silva, pelo seu apoio e por me citar...

Sunday, July 15, 2012

FAÇA O PITCH DE SI PRÓPRIO

O meu ultimo Artigo tecnico do PORTAL DE GESTÃO (FAÇA O PITCH DE SI PRÓPRIO)tem recebio muitos comentários, por isso, decidi fazer um comentário global aqui.

SIM; VAMOS OUVIR MUITOS NÂOS!!!!

Ao longo da nossa vida, nas areas laborais, pessoais, vida amorosa, etc...e então??? Qual é o problema do NÃO!???

Não deixem que o não vos atrapalhe. Não vivam com o Não dentro de vocês a toda a hora, se não... vão ouvir mais nãos ainda!!!

Não imagino o que é viver constantemente a pensar que toda a gente nos vai dizer não ou que tudo vai correr mal! Livrem-se disso, por favor!

Arrisquem, tentem, não queiram chegar ao fim da vida arrependidos por nao ter tentado! Mesmo vos digam NÃO, tentem! Só assim vale a pena.

Além disso, às vezes ouvimos um talvez e achamos que é Não. Não deduzam. Se não ouviram um NÃO definitivo e redondo, tentem sempre!

Não se permitam viver eternamente a pensar "e se afinal a pessoa até viesse a dizer sim"?

A vida é para tentar, para tombar, sofrer, e depois ser feliz, e depois sofrer outra vez. Mas para viver plenamente, temos de tombar. E quanto mais vezes dermos o salto, de coração, mais vamos sofrer e mais vamos ser intensamente felizes! Não há outra forma de viver. O resto de formas de SOBREviver.

Sunday, June 24, 2012

I´m High on life

Já lá vai um tempo que escrevo no meu querido Blog.
Entre facebook, a escrita crónica no PORTAL DE GESTÃO e as AULAS DE YOGA resta pouco tempo e, por vezes, ideias, para escrever no blog.
Acho que o facebook já está tirar protagonisto aos blogs, que merecem muita mais a nossa atenção...
Mas hoje, enfim, I'M HIGH ON LIFE.
No meio de toda a crise, que as pessoas teimam em achar que é coisa nova, acho que a maior crise é de valores e, obviamente, esta crise também não é de agora!


Começo a achar que 80% das pessoas do planeta sofrem de vários critérios clínicos de Depressão. Por isso, quando olho para dentro de mim, sinto-me realmente feliz, porque estou certamente viciada na vida! 
Em inglês soa melhor, I'm High on life. As voltas e voltas que a nosso percurso dá, as incertezas com que vivemos faz de nós seres espantosos. A imprevisibilidade é o mais belo desta coisa a que chamámos vida.


Talvez eu esteja a ser influenciada por uma série de coisas que me acontecem, ou, por outro lado, por estar a ler A FÓRMULA DE DEUS do fantástico José Rodrigues dos Santos. Como escritora que sou, deixou os romances históricos e filosóficos para quem sabe, mas, a César o que é de César, e este livro está a mexer comigo. E não é isso que se quer de um livro? Aprendo física, Quântica, Matemática, num abrir e fechar de olhos e páro a cada páginas para revolver a minha cabeça nas minhas áreas, a Psicologia e o Yoga.


No meio de tudo é fascinante perceber que tudo o que as ciências confirmaram, o Yoga já defendia. Mas claro, como cientista que sou, sei que o método cientifico tinha de confirmar as coisas à sua forma, ou não vivêssemos nós nesta sociedade que assim o convencionou.


No meu de toda esta confusão, a vida é simples. Há entropia (tudo nasce, tudo caminha para o fim e tudo morre) e é um conforto saber disso, por muito que por vezes não pareça.


Há coisas que são indetermináveis, diz a Física e a matemática. E mesmo as que parecem muitas vezes determináveis, são influenciadas pela presença do Observador (Heisenberg).


Nós vivendo a nossa própria vida, influenciámo-nos a nos próprios. 


A Vida é um caos, e a teoria do caos vai ao milímetro da influência...


Mas no meio de tudo isto, a imprevisibilidade é sem dúvida a coisa mais fascinante que o Criador (será?!) nos deu. Talvez seja preciso que nos aconteça a coisa que, considerávamos nós, fosse completamente impossível, para reconhecer a magia da imprevisibilidade.
No entanto, também é preciso cavalgar a imprevisibilidade ao invés de fugir dela. Se fugirmos da imprevisibilidade da vida, estaremos a fugir da vida em si...


Santosha.

Monday, May 14, 2012

As barbaridades que eu ouço sobre a crise…


Com certeza, eu sou uma pessoa atípica. Com certeza devo ter muito melhor memória do que milhões de pessoas.
Esta é uma das alturas mais belas, mais ricas de todos os tempos e de repente, toda a gente só fala em crise.
Não sei desde quando é que todo o cidadão comum se tornou economista de café. Há 20 ou 30 anos, ninguém dava palpites sobre a gestão financeira ou medidas de desenvolvimento de um país. As pessoas davam ideias, comentavam as medidas e iam às suas vidas. No momento de votar, votavam. Depois envolviam-se na medida do possível, no quotidiano politico-economico.
Hoje em dia, todos os dias, notícias complexas sobre economia, politica e finanças são simplificadas para o cidadão comum que, não percebendo patavina, dá palpites. Atenção, eu também não percebo patavina, mas ao menos não acho que percebo.
A crise é muito antigo e plenamente previsível há mais de 20 anos. A europa chegou ao seu auge. Sim, enfrentamos agora a ausência de crescimento…mas, GENTE, é para isso que toda a gente andou a trabalhar estes anos todos. Vão todos a correr para os países em desenvolvimento…eu também já fui e foi uma ótima experiencia. Mas isso não é a solução para a Europa.
Quando eu era catraia ouvi muitas vezes a seguinte frase dos mais velhos “Em tempos, comprávamos um bocadinho de carne para dar sabor à sopa, não tínhamos dinheiro para nada, e alterávamos a roupa dos mais velhos, costurando roupa para os maisnovos”.
Sim, definitivamente estes tempos catuais são uma desgraça!!! Todos temos roupa e da boa, todos compram coisas todos os dias, e é uma crise desgraçada. Em tempos muitas pessoas não tinham televisão, há menos de 40 anos! E agora, quase ninguém tem televisão…têm plasmas, LCD, e LED…é uma tristeza.
Em tempos perdíamos contactos com amigos…e morríamos sem nunca mais saber o que era feito deles. De veze em quando via nos olhos dos mais velhos, a tristeza de perder um grande amigo. Nestes tempos horrorosos em que vivemos, encontro amigos a toda a hora, na net, n o facebook e falo com eles, e mantenho amigos anos e anos, mesmo do outro lado do planeta. É muito triste. Como bem todos os dias, e não passo fome, compro barato, acessível e bom.
AS doenças diminuíram e o controle de qualidade aumentou drasticamente em 40 anos. Que chatice, este país, é uma merda. E dantes demorávamos 7 horas para ir de férias a algum sítio, e agora excelentes autoestradas, infelizmente pagas claro, levam-nos a todo o lado. É mesmo uma merda de país...sem  dúvida, gente!
Há menos de 30 anos, as pessoas morriam sem saber porquê. Morriam aos 40 e aos 50 anos e so alguns tinham a sorte de passar essa barreira. Agora, a evolução do nosso país permite-nos viver, em média, até aos 80 anos. É uma desgraça, sim senhor. Realmente, para muitos, mais valia viverem só até aos 40 ou 50, uma vez que andam sempre a querer voltar aos velhos tempos.
Mas é assim: nos velhos tempos, as pessoas amavam-se, casavam, tinham filhos, formavam família, sem saber o que ia passar-se amanha. Sem acumular dinheiro obsessivamente, sem saber da carreira, e às vezes sem saber onde viver. Muitos dos nossos pais e avós viveram grande parte das suas vidas em casas da família, e não compraram casa.
Eu sou uma pessoa muito atípica, mesmo. Eu acho que não há melhores tempos do que estes. Quando eu era pequena, comecei a pedir coisas de marca à minha mãe. Claro que economicamente, não podia, mas o argumento certo é: qual é a necessidade dessa marca? É uma necessidade ou um desejo? Hoje em dia, sou coach e formadora e, quer nas formações de comportamento do consumidor, quer em consultas individuais de poupança, é das primeiras coisas que abordo: É necessidade ou desejo?
Todos os dias, nas lojas, nas ruas, ouço pessoas a dizerem: “Preciso mesmo do novo ipod”, “Preciso mesmo de umas calças vermelhas”, “preciso mesmo daqueles sapatos”…PRECISO??? Vocês esqueceram o significado dessa palavra? Vocês precisam de um fato Massimo Duti? PRECISAM de queijo marca XPTO? Precisam de …etc.etc.???? PRECISAM?
Quando eu era pequena, fui educada assim. “Enquanto se come não se vê televisão. Antes de saires da mesa, pedes licença e depois é que vais ver TV”. Os adultos davam o exemplo. Hoje, toda a gente vive com a tv ligada, “Para companhia”, dizem alguns. Não suportam o silêncio…o que me preocupa bastante.
Sadomasoquistas ou bombas de agressividade? Ouvem as notícias para em seguida desatar a insultar alguém ou alguma coisa, já repararam? Até no café, com a TV ligada, observo isto. As pessoas veêm TV para descarregar em alguém as suas frustrações. É fácil.
Dantes não havia nada para fazer. Fazia-se filhos, como diz o povo, às vezes, em tom de brincadeira. Agora, ao fim de semana, é impossível. Todos os shoppings estão cheios. E ainda se podia pensar que não compram nada. Mas na semana passada, estive no shopping a contar quantas pessoas saiam de saco na mão. Só contei 21 com saco e 2 sem saco nenhum! Sim, as pessoas compram coisas! É esta crise horrível que os manipula e os leva a comprar…mas como, se não tem dinheiro? Não sei…
Durante muitos anos, não soube o que eram férias. A família ia para a praia e dava umas voltas num raio de uns quilómetros e pronto. Agora, toda a gente vai de férias, e faz créditos, etc….é o raio da crise que se instalou.
Instalou-se nas vossas cabeças distorcidas, com ajuda da comunicação social. O comportamento das pessoas é que está em crise. Severamente em crise. Ninguém pratica a aceitação, o contentamento, a celebração do que têm e do que são e do que conseguiram na vida. Querem mais e mais, e como já tiveram talvez, um pouco mais, não aceitam menos.
Eu tenho orgulho no meu país. Tudo o que conseguimos nos últimos 30 anos é fabuloso. Paisagens, Politicas sociais, económicas, qualidade de vida, etc. Já para não falar em temros tecnológicos e reconhecimento mundial. Onde estão os portugueses aventureiros descobridores? Como eu li aqui há tempos, numa piada da internet, Os portugueses que aqui estão não são descendentes dos portugueses descobridores que se lançaram ao mundo. São descendentes dos medrosos que cá ficaram. Mas eu tenho orgulhos dos portugueses que todos os dias lutam, e ficam aqui, não arredam pé, e estão gratos pela sua vida. Tenho orgulhos dos portugueses que passam por mim na rua e me cumprimentam sem saber quem eu sou. E num BOM DIA, nasce uma sorriso de sabedoria e luta que me ilumina o dia. E quando se pergunta “Como vai”, a alegre resposta, “Vai-se andando, é a vidinha”.