Wednesday, June 22, 2005

Rasguei a roupa toda

Num acesso de fúria, poderia ter recorrido facilmente à violência. Contra algo ou alguém em quem descarregasse a minha hiper-frustrada alma, quero dizer. Mas o meu desejo de requinte chamava, e se tivesse à mão o quadro da mulherzinha dos Ferrero Rocher, tê-lo-ia destruído com muito prazer. Mas não tinha. A violência requintada que eu desejava teria de ser aquilinamente preparada e, no entanto, espontânea [Isto agora até parecia aquelas descrições inúteis de coisas estúpidas que se fazem hoje em dia, do género adjectivar profundamente os perfumes, os vinhos, as combinações de peças de roupa naqueles programas de "querido, mudei de roupa..."].

Umas gavetas minhas continham roupa antiga e, li em algum lado que isso impedia o fluxo de energia na casa [Consultor XPTO de Fenf-Shui que escreve para uma daqueles revistas femininas, que apetece ler quando a progesterona chama] e decidi resolver ambos: o meu acumular de desejo requintado de violência e o acumular de energias negativas na gaveta. Mas o acto teria de ser especial: Tesouradas! Fortes e feias! Tesouradas do tipo Eduardo Mãos de Tesoura.

A coisa resolveu-se!
[É impressionante o meu desejo de requinte de violência e a quantidade de palavras que se consegue escrever sobre este acesso de fúria!]
Infelizmente para mim, descobri há pouco tempo, numa visita a um shopping, que a roupa que pûs fora, toda [artísticamente] TESOURADA, era também modelo de uma nova colecção de Senhora em várias marcas de renome.

Lição de Moral: O Artista não é o que é capaz de fazer, mas o que se lembra de o fazer primeiro.

1 comment:

Edward said...

Vais me desculpar mas... foda-se!

Então, eu participo num blog (ainda que algo morto) com o mesmo "nome" que o teu? (pseudo.blog.com) e em que o meu pseudónimo é Edward precisamente pelas mãozinhas de tesoura?

Once again, foda-se!